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No Brasil, mais de 95% dos pacientes queimados são tratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou por meio de financiamento público estadual e municipal.
 
== Aspectos clínicos ==
 
As feridas por queimadura envolvem três zonas de lesão: a zona de coagulação, a zona de estase e a zona de hiperemia. A zona de coagulação é onde o tecido foi destruído no momento da queimadura. Ao redor dela, encontra-se a zona de estase, caracterizada por inflamação e baixa circulação sanguínea. Fora dessa área, há a zona de hiperemia, onde a circulação sanguínea não é afetada.
 
Muitas vezes, a área de estase pode piorar e se tornar necrótica nas primeiras 48 horas após a queimadura, fazendo com que a lesão inicial aumente em tamanho e profundidade.
 
As queimaduras desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica que pode resultar em complicações graves, como choque hipovolêmico, sepse e falência de múltiplos órgãos. A infecção é uma das principais causas de mortalidade, devido à perda da barreira cutânea e à subsequente colonização bacteriana das feridas.
 
Em crianças e idosos, o risco de complicações é maior devido à menor capacidade de resposta fisiológica.
 
Classificação das queimaduras:
 
- Superficiais (Primeiro Grau): Atingem apenas a epiderme, a camada mais externa da pele.
 
- Superficiais Parciais (Segundo Grau): Atingem a epiderme e parte da derme, especificamente a derme papilar. Essas queimaduras não destroem os anexos da pele e podem incluir sintomas como eritema e flictenas (bolhas).
 
- Profundas Parciais (Segundo Grau): Atingem até a derme reticular e causam destruição de muitos apêndices da pele.
 
- De Espessura Total (Terceiro ou Quarto Grau): Destroem completamente a epiderme, derme e anexos da pele, podendo atingir a fáscia muscular e o osso.
 
Entre os sintomas clínicos incluem-se eritema, formação de bolhas, umidade, hiperemia e palidez à pressão.
 
O tempo de cicatrização pode variar de 7 a 20 dias, dependendo da profundidade e extensão da queimadura.
 
Segundo Vale et al. (2005) a extensão das queimaduras é também um aspecto fundamental para determinar a gravidade das lesões e orientar o tratamento necessário, sendo classificada de acordo com a porcentagem da área corporal afetada:
 
- Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície corporal;
 
- Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal;
 
- Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal;
 
As queimaduras apresentam desafios significativos para a cicatrização e reparo, como bordas irregulares, necrose tecidual, dificuldades na regeneração dos tecidos, e a necessidade de tratamentos prolongados e dispendiosos, que muitas vezes exigem hospitalização.
 
== Tratamento ==
 
O manejo inicial das queimaduras segue um protocolo sistemático para garantir que as principais ameaças à vida sejam abordadas rapidamente:
 
Remoção da fonte de calor: A primeira medida é interromper o contato com a fonte de calor para evitar a progressão do dano tecidual;
 
Resfriamento da área queimada: A aplicação de água corrente fria na área afetada por cerca de 10 a 20 minutos é recomendada para limitar a extensão da lesão e aliviar a dor. No entanto, deve-se evitar o uso de água gelada para prevenir hipotermia, especialmente em queimaduras extensas;
 
Controle da dor: A analgesia é uma prioridade no tratamento inicial, e medicamentos como a meperidina são frequentemente utilizados para aliviar a dor intensa associada a queimaduras de segundo e terceiro graus;
 
Reidratação e suporte hemodinâmico: A reposição de fluidos é crucial em queimaduras extensas para prevenir choque hipovolêmico. A fórmula de Parkland é comumente utilizada para calcular o volume necessário de reposição de fluidos nas primeiras 24 horas. É essencial ajustar a reposição de acordo com as necessidades específicas do paciente.
 
O tratamento inicial de queimaduras deve ser conduzido preferencialmente em centros especializados em queimaduras, especialmente em casos de queimaduras extensas ou complicadas.
 
Após o manejo inicial, os curativos convencionais são compostos, em sua maioria, de materiais básicos como gaze, algodão e ataduras, pomadas antibióticas que têm a função principal de proteger a queimadura de contaminantes externos, absorver o exsudato e manter um ambiente seco. Apesar de serem amplamente usados, esses curativos apresentam limitações em termos de eficácia, especialmente no tratamento de feridas mais complexas.
 
A escolha do curativo varia conforme a quantidade de exsudato presente, com algumas opções sendo mais indicadas para casos leves a moderados, enquanto outras são mais apropriadas para exsudato em maior quantidade. Curativos com agentes antimicrobianos, como iodo e prata, podem ser utilizados em diferentes tipos de queimaduras, dependendo da situação inicial.
 
Nesse sentido, os curativos modernos e membranas biológicas se destacam como as opções mais adequadas, pois além de garantir a melhor proteção contra infecções, também promovem uma qualidade superior na cicatrização, reforçando sua importância no tratamento de queimaduras. A incorporação dessas novas tecnologias tem se mostrado essencial para a melhoria dos protocolos de tratamento, beneficiando tanto a recuperação dos pacientes quanto o sistema de saúde como um todo.
 
== Tratamento de queimaduras no SUS ==
- Centros de Referência: Oferecem tecnologias avançadas, como lasers para cicatrizes, malhas compressivas e cirurgias reconstrutivas.
== Avaliação da Tecnologia: Transplante de membrana amniótica (MA) ==
 
O tratamento com membrana amniótica em pessoas com queimaduras de pele tem como finalidade diminuir o tempo de cicatrização, da dor e a ocorrência de infecções.
 
A MA é a camada mais interna das três membranas fetais que compõem a placenta. Ela consiste em um tecido epitelial simples cúbico, separado do tecido conjuntivo subjacente por uma lâmina basal espessa, rica em colágeno tipo IV e glicoproteínas. Abaixo dessa lâmina basal, encontra-se uma matriz estromal avascular. Esta membrana fina e translúcida, que reveste a cavidade amniótica durante a gestação, é amplamente utilizada na medicina regenerativa, especialmente no tratamento de queimaduras, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas, imunomoduladoras e cicatrizantes. As propriedades biológicas da MA tornam-na uma ferramenta importante no tratamento de lesões e em terapias regenerativas. Entre suas características principais está a ação antibacteriana, que inibe o crescimento de bactérias, sendo essencial para prevenir infecções em áreas lesionadas. Isso é particularmente importante em ambientes onde a proliferação bacteriana pode comprometer a recuperação do tecido.
 
A coleta da MA é realizada de forma ética e segura, geralmente a partir de placentas doadas por mães que passaram por cesariana. Após a cesariana, a placenta é cuidadosamente transportada para um banco de tecidos, onde a membrana amniótica é separada das outras camadas da placenta em condições estéreis. Este processo requer atenção aos detalhes para evitar a contaminação e garantir que a membrana mantenha suas propriedades biológicas.
 
Após o isolamento do tecido amniótico da placenta humana, a membrana é dissecada para separar a membrana amniótica (hAM) da membrana coriônica (hCM), podendo ser dobrada ou mantida junta como membrana amnióticacoriônica (hACM) para processamento posterior. Uma vez retirada, a MA pode ser preservada por métodos de criopreservação ou liofilização39. A criopreservação envolve o congelamento da MA a baixas temperaturas, geralmente em nitrogênio líquido, o que mantém suas propriedades biológicas por longos períodos. Já a liofilização, ou desidratação, permite que a membrana seja armazenada à temperatura ambiente, facilitando seu transporte e manuseio. Independentemente do método de conservação escolhido, é essencial que o processo siga protocolos rigorosos para manter a esterilidade e a viabilidade do tecido.
O transplante da MA em pacientes com queimaduras é realizado em ambiente hospitalar. A membrana é cuidadosamente aplicada sobre a área queimada, servindo como um enxerto biológico. Antes do procedimento, a área queimada é preparada para receber o enxerto, o que pode incluir a limpeza e a remoção de tecido morto. A MA é então posicionada diretamente sobre a área afetada e fixada com curativos ou suturas, dependendo da extensão e localização da queimadura.
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