Prótese Reversa de Ombro
Índice
Introdução
A prótese reversa de ombro ou artroplastia reversa de ombro é uma alternativa de abordagem cirúrgica para a artroplastia de ombro ou artroplastia escapulo-umeral total.
Nesta abordagem, há a inversão dos componentes, ou seja, na glenóide (região anatômica côncava onde se encaixa a cabeça convexa do úmero) é colocado uma esfera e no úmero, especificamente na região onde havia a cabeça do úmero (anatomicamente convexa), é colocada uma base e uma copa côncava para se encaixar na esfera. Para a elevação do braço, o paciente precisará usar apenas o músculo deltóide, motivo pelo qual é indicado para pacientes com ruptura do manguito rotador (grupo de musculaturas que contribuem para a movimentação do ombro).
A artroplastia reversa de ombro via de regra é uma cirurgia eletiva, ou seja, não há urgência nem emergência na realização. O paciente pode aguardar o processo cirúrgico em domicílio.
A principal indicação para prótese reversa continua sendo o paciente com artropatia do manguito rotador com quadro de dor, perda de amplitude de movimentos e comprometimento das atividades de vida diária, com resultados satisfatórios. Mas, em pacientes com quadros de osteoartrose com manguito rotador intacto, em um curto período de acompanhamento tem apresentado resultados favoráveis com baixas taxas de complicações.
E quando comparado a artroplastia total de ombro com prótese anatômica com a prótese reversa, os resultados clínicos são semelhantes em pacientes com osteoartrite e manguito rotador intacto. Como contra indicações para a cirurgia de prótese reversa, a literatura cita quadros de infecção protética, lesão de nervo axilar e músculo deltóide não funcionante, pois a movimentação do ombro dependerá deste músculo. Portanto, para quadros de osteoartrose, os resultados clínico-funcionais são semelhantes para as duas abordagens cirúrgicas de artroplastia total de ombro.
Em estudo de meta-análise de três estudos selecionados que compararam próteses anatômicas bilaterais com próteses reversas bilaterais de ombro, com uma amostra de 86 participantes que realizaram a cirurgia de colocação de próteses anatômicas bilaterais (com quadros de osteoartrose) e 43 participantes que realizaram a cirurgia de colocação de próteses reversas bilaterais (por ruptura do manguito rotador ou revisão de artroplastia de ombro). Como resultado, as próteses anatômicas bilaterais apresentaram melhores resultados funcionais nos testes realizados, com melhores amplitudes de movimento no pós-operatório. Contudo, não foi observada diferença significativa na dor pós-operatória quando comparados à prótese reversa. Os pesquisadores ressaltaram a importância de haver mais estudos randomizados e controlados para confirmar esses achados. Este estudo nos demonstra que a cirurgia com prótese anatômica segue oferecendo bons resultados funcionais para quadros de osteoartrose com manguito rotador preservado.
A Intervenção Cirúrgica
Material e Procedência das Próteses
As próteses podem ter sua procedência da indústria nacional ou estrangeira. A qualidade é avaliada através de detalhes das ligas metálicas, do polietileno, na resistência das superfícies de revestimento, no desenho do implante e nos instrumentais necessários à implantação dos componentes protéticos, entre outros critérios.
A indústria nacional vem se aperfeiçoando, ressaltando-se que o critério preço e origem estrangeira da prótese não é garantia de boa procedência ou qualidade.
As condições ideais para a cirurgia vão além do implante em si. Existe uma "curva de aprendizado" para que os especialistas conheçam os detalhes das protéses e avaliem o paciente longitudinalmete no pós-operatório para determinar se determinado tipo de prótese e sua procedência são adequados.
Um grande objeto de contendas é a procedência dos materiais utilizados na confecção das próteses. Alguns especialistas sustentam que pode haver uma grande diferença na durabilidade dos diferentes tipos de materiais. Algumas vezes podem dizer que as importadas são mais duradoudas e que por isso têm custo mais elevado que as de fabricação nacional, porém deve-se ater se existe de fato evidência científica ou algum consenso da especialidade, ou se trata apenas uma "evidência anedótica". Em geral, próteses importadas de alto custo podem não satisfazer critérios de custo-efetividade, e acabam não sendo disponibilizadas para pacientes do SUS.
Apesar do benefício obtido na artroplastia primária de quadril, é conhecido que as próteses articulares artificiais mais antigas apresentam uma duração limitada, e não é incomum que apresentem disfunção após 10 ou mais anos da substituição articular. Assim, a escolha dos materiais a serem utilizados na prótese depende não só da idade como da atividade do paciente e também do tipo de fixação do implante.
Cumpre ao médico, dentro dos princípios da ética e da técnica, a escolha do melhor implante, para cada paciente, observados o universo de particularidades desta seleção.
Padronização no SUS
- Os membros da CONITEC presentes na 74ª reunião ordinária do plenário do dia 07/02/2019 deliberaram por recomendar a incorporação de componente acetabular de metal trabecular para artroplastia de quadril de revisão mantendo-se o código e valor do respectivo procedimento vigente na Tabela do SUS com adequação da descrição. A sugestão de abertura para o uso de metais trabeculares alternativos, e não somente tântalo, foi aceita. [1]
A PORTARIA Nº 7, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2019, tornou-se pública a decisão de incorporar a prótese para artroplastia de quadril de revisão com material diverso da primária (componente acetabular de metal trabecular para cirurgia de revisão de prótese de quadril), mantendo-se o código e valor dos respectivos procedimentos vigentes na Tabela SUS com adequação da descrição, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. [2]