<ref>[https://https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-1-092-transplante-de-membrana-amniotica-pe-diabetico Transplante de membrana amniótica para o tratamento de pacientes com feridas crônicas e do pé diabético]</ref>
== Tratamento disponível no SUS ==
- debridamento dos tecidos inviáveis, que pode ser realizado por métodos autolítico, enzimático, mecânico ou cirúrgico, conforme a
avaliação clínica e a competência profissional, com o objetivo de reduzir a carga bacteriana e favorecer a cicatrização do leito da ferida. - terapias tópicas baseadas no uso racional de coberturas, como hidrogéis, hidrocolóides, alginatos, espumas e produtos à base de ácidos graxos essenciais, selecionadas de acordo com o tipo de tecido presente, a quantidade de exsudato e a fase do processo cicatricial, visando manter a ferida limpa, úmida e protegida.
- medidas de alívio de pressão, incluindo o uso de calçados adequados, palmilhas e superfícies de suporte para redistribuição da pressão plantar, especialmente em pacientes com neuropatia diabética, bem como a compressão venosa nos casos indicados.
Ressalta-se que não existe um curativo ideal universal, sendo a escolha da cobertura e da estratégia terapêutica dependente do tipo de lesão, das características do tecido, do estágio evolutivo da ferida e das condições clínicas do paciente.
No que se refere à limpeza das feridas, o SUS dispõe de soluções padronizadas, com destaque para a solução fisiológica a 0,9%, amplamente utilizada por sua ação isotônica, capacidade de limpeza, manutenção da umidade do leito da ferida e estímulo ao desbridamento autolítico, sendo indicada tanto para feridas abertas quanto fechadas, sem contraindicações descritas. Adicionalmente, estão padronizadas soluções antissépticas modernas, como aquelas à base de polihexanida e betaína, indicadas para a limpeza, descontaminação e hidratação de feridas agudas e crônicas contaminadas ou infectadas, com ação eficaz na prevenção e no tratamento do biofilme, contribuindo para o preparo
adequado do leito da ferida e para a otimização do processo cicatricial.
Quanto às coberturas interativas e bioativas, o SUS contempla diferentes opções, como papaína em diversas concentrações, placas e pastas hidrocoloides, géis hidroativos, alginatos de cálcio e/ou sódio e produtos à base de ácidos graxos essenciais. Esses materiais promovem o
desbridamento autolítico, mantêm o meio úmido, estimulam a granulação e a epitelização e permitem a remoção não traumática do curativo, devendo ser selecionados conforme o tipo de tecido, a presença de exsudato e a fase da cicatrização. O SUS também disponibiliza coberturas com ação antimicrobiana, incluindo aquelas impregnadas com prata, como espumas, hidrofibras, alginatos e prata nanocristalina, e carvão ativado com prata, indicadas principalmente para feridas exsudativas, colonizadas ou infectadas, com ou sem odor, contribuindo para o controle da carga microbiana, a redução do odor e a proteção do leito da ferida, sempre mediante avaliação criteriosa do profissional de saúde.
Por fim, os protocolos padronizados reforçam que a escolha do curativo deve ser individualizada, baseada em avaliação clínica sistemática, nas características da lesão e na resposta ao tratamento, não havendo uma cobertura universalmente superior. Em situações mais complexas, recomenda-se a utilização de algoritmos de conduta terapêutica e instrumentos de avaliação padronizados, disponíveis nos manuais institucionais, garantindo um cuidado seguro, racional e resolutivo no contexto do SUS.
== O Relatório de Recomendação ==