Mudanças entre as edições de "Elastografia Hepática"

(Padronização do SUS)
(Recomendação Final da Conitec)
 
(14 revisões intermediárias pelo mesmo usuário não estão sendo mostradas)
Linha 1: Linha 1:
== Informações Sobre a Doença ==
+
== A Elastografia Hepática ==
  
A esquistossomose é uma doença infecto-parasitária, socialmente determinada, e representa a segunda principal causa de mortes no Brasil entre as doenças tropicais negligenciadas (DTN). Indivíduos que residem em áreas endêmicas, com altas cargas parasitárias, podem evoluir da forma aguda para a fase crônica da doença. Entre as formas clínicas da doença, cerca de 10% irão desenvolver a forma hepatoesplênica, caracterizada pela fibrose hepática. A detecção precoce da fibrose hepática é recomendada para que os pacientes possam iniciar o tratamento ainda nos estágios iniciais da doença, em vez de somente na fase avançada da cirrose hepática.  
+
A elastografia hepática ultrassônica é um método não invasivo utilizado para diagnóstico da fibrose hepática. Entre as técnicas de elastografia existentes, temos a elastografia transitória e a elastografia por irradiação de força de impulso acústico (ARFI, do inglês Acoustic Radiation Force Impulse). Ambas as técnicas são realizadas em aparelhos de ultrassonografia tradicionais, sendo que apenas a elastografia do tipo ARFI está disponível no SUS.
  
Embora a biópsia seja considerada o método mais preciso para o diagnóstico, exames de imagem não invasivos, como a '''elastografia hepática''', têm se mostrado alternativas à biópsia. Apesar de o procedimento estar disponível no SUS para detecção da fibrose hepática em pacientes com Hepatite C e Hepatite B, atualmente não contempla pacientes com esquistossomose. Dessa forma, é pertinente a avaliação da ampliação de uso para essa população no SUS.
+
O exame da elastografia hepática, independentemente do tipo, é um procedimento (exame de imagem) de fácil realização, reprodutível e pode ser realizado à beira do leito ou em atendimento ambulatorial. O tempo necessário para a aquisição das medidas em média é menor que cinco minutos. Ressalta-se que o exame da elastografia hepática é operador dependente, sendo que a experiência influencia diretamente a confiabilidade das medidas. Para a elastografia transitória, 100 exames são necessários como treinamento mínimo para habilitação do operador. para elastografia do tipo ARFI, não há um consenso sobre a experiência necessária do operador. Os resultados da elastografia hepática devem ser interpretados por um especialista, o qual deve associar os achados com aspectos clínicos de cada paciente.
  
<ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2025/relatorio-de-recomendacao-com-decisao-final-no-1029-elastografia-esquistossomose Relatório de recomendação Ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose]</ref>
+
== Portarias ==
  
== Relatório de Recomendação da Ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose ==
+
A PORTARIA SCTIE N. 47, DE 29 DE SETEMBRO DE 2015, torna pública a decisão de incorporar no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS o procedimento de elastografia ultrassônica hepática, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2015/portarias_46a52_2015.pdf PORTARIA SCTIE N. 47, DE 29 DE SETEMBRO DE 2015]</ref>
  
A [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2025/portaria-sectics-ms-no-66-de-15-de-setembro-de-2025 PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025] <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2025/portaria-sectics-ms-no-66-de-15-de-setembro-de-2025 PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025]</ref> aprovou o [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2025/relatorio-de-recomendacao-com-decisao-final-no-1029-elastografia-esquistossomose Ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose].
+
A PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025, torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, da elastografia hepática para o '''diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose'''. <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2025/portaria-sectics-ms-no-66-de-15-de-setembro-de-2025.pdf PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025]</ref>
 
   
 
   
* '''Critérios de Inclusão:'''  
+
PORTARIA SCTIE/MS Nº 45, DE 20 DE JULHO DE 2026, torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, da elastografia
 +
hepática ultrassônica para o estadiamento e o '''monitoramento da fibrose hepática em pacientes com colangite biliar primária'''. <ref>[https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sctie/ms-n-45-de-20-de-julho-de-2026-720523323.pdf PORTARIA SCTIE/MS Nº 45, DE 20 DE JULHO DE 2026]</ref>
  
PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025 Torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose. Ref.: 25000.040076/2025-65.
+
== Relatórios de Recomendações da CONITEC ==
  
Conforme determina o art. 25 do Decreto nº 7.646/2011, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias para efetivar a oferta no SUS.
+
'''Elastografia Hepática Ultrassônica no Diagnóstico da Fibrose Hepática:'''
  
== O Relatório de Recomendação da CONITEC ==
+
A complexidade da biópsia hepática promove uma limitação principalmente no acompanhamento da progressão ou regressão da fibrose hepática, visto que, para esta finalidade, seria necessária a repetição do método, aumentando riscos de complicações ao indivíduo. A ultrassonografia com elastografia hepática se mostra como uma boa alternativa à biópsia para avaliação inicial e seguimento da progressão ou regressão da fibrose hepática de
 +
diversas doenças do fígado. Por ser um método não invasivo, possui várias vantagens em relação à biopsia. Dentre elas destaca-se o fato de ser indolor o que promove uma maior adesão do paciente ao diagnóstico e acompanhamento, rápida execução e não necessita de preparo e/ou jejum. As evidências científicas encontradas na literatura demonstram que a elastografia hepática ultrassônica, seja com a tecnologia transiente ou por meio da tecnologia ARFI com onda de cisalhamento (Shear Wave), indicam que os valores de sensibilidade e especificidade do exame se elevam proporcionalmente ao grau de evolução da fibrose, sendo mais acurados quando se trata de quadros de cirrose do que quando o estadiamento se encontra em METAVIR F1 ou F2.
 +
 
 +
Os valores apresentados indicam que a elastografia hepática ultrassônica é uma alternativa segura e efetiva e pode ser uma ferramenta extremamente útil para a triagem e acompanhamento da fibrose hepática em pacientes portadores de patologias do fígado, podendo evitar inúmeras biópsias desnecessárias.
 +
Mais do que a economia gerada ao sistema de saúde, evitar biópsias desnecessárias representa um ganho significativo em qualidade de vida para os pacientes, que passarão a contar com um exame indolor e sem as complicações e efeitos que um procedimento invasivo representa para o seu bem-estar.
 +
 
 +
''' Para o Diagnóstico da Fibrose Hepática em Pacientes com Esquistossomose:'''
  
 
A síntese de evidência da acurácia da elastografia comparado à biópsia hepática demonstra que a elastografia apresenta um grau de acurácia de aceitável a excelente, com estimativas de sensibilidade e especificidade acima do limiar de relevância clínica (60%). A sensibilidade sumária variou de 78% a 87% e a especificidade sumária variou de 79% a 90%,
 
A síntese de evidência da acurácia da elastografia comparado à biópsia hepática demonstra que a elastografia apresenta um grau de acurácia de aceitável a excelente, com estimativas de sensibilidade e especificidade acima do limiar de relevância clínica (60%). A sensibilidade sumária variou de 78% a 87% e a especificidade sumária variou de 79% a 90%,
Linha 25: Linha 32:
 
das análises de sensibilidade determinísticas demonstram que o parâmetro que mais impacta na RCEI em todos os graus de fibrose é o custo do exame da biópsia. Os resultados das análises de sensibilidade probabilística corroboram com os resultados apresentados na análise do caso base.
 
das análises de sensibilidade determinísticas demonstram que o parâmetro que mais impacta na RCEI em todos os graus de fibrose é o custo do exame da biópsia. Os resultados das análises de sensibilidade probabilística corroboram com os resultados apresentados na análise do caso base.
  
==Descrição Técnica da Tecnologia==
+
'''Para o Estadiamento e Monitoramento da Fibrose Hepática em Pacientes com Colangite Biliar Primária:'''
  
A elastografia hepática ultrassônica é um método não invasivo utilizado para diagnóstico da fibrose hepática. Entre as técnicas de elastografia existentes, temos a elastografia transitória e a elastografia por irradiação de força de impulso acústico (ARFI, do inglês Acoustic Radiation Force Impulse). Ambas as técnicas são realizadas em aparelhos de ultrassonografia tradicionais, sendo que apenas a elastografia do tipo ARFI está disponível no SUS.
+
Apesar das limitações metodológicas encontradas nos estudos, as evidências disponíveis indicam que as diferentes técnicas de elastografia hepática apresentam acurácia diagnóstica semelhante e adequada (≥80%) para o estadiamento e monitoramento da fibrose hepática em pacientes com CBP, especialmente para estágios mais avançados. A análise comparativa não evidenciou diferenças significativas entre o desempenho das tecnologias, sendo importante ressaltar que esse resultado está associado a grande incerteza, devido ao número reduzido de estudos, o que limita a robustez do achado. Destaca-se, que as técnicas disponíveis no SUS (ARFI, p-SWE e 2D-SWE) são operadores dependentes, o que pode afetar a qualidade dos resultados e reforça a necessidade de capacitação contínua dos profissionais que realizam esse procedimento.
 +
 
 +
== Recomendação Final da Conitec ==
  
O exame da elastografia hepática, independentemente do tipo, é um procedimento (exame de imagem) de fácil realização, reprodutível e pode ser realizado à beira do leito ou em atendimento ambulatorial. O tempo necessário para a aquisição das medidas em média é menor que cinco minutos. Ressalta-se que o exame da elastografia hepática é operador dependente, sendo que a experiência influencia diretamente a confiabilidade das medidas. Para a elastografia transitória, 100 exames são necessários como treinamento mínimo para habilitação do operador. Já para elastografia do tipo ARFI, não há um consenso sobre a experiência necessária do operador. Os resultados da elastografia hepática devem ser interpretados por um especialista, o qual deve associar os achados com aspectos clínicos de cada paciente.
+
A CONITEC, na presença dos membros, na reunião do plenário do dia 02/07/2015 deliberou por unanimidade recomendar a incorporação do procedimento de
 +
elastografia hepática ultrassônica conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Foi assinado o Registro de Deliberação nº 132/2015.
  
== Recomendação Final da Conitec ==
+
Os membros do Comitê de Produtos e Procedimentos presentes na 143ª Reunião Ordinária do Conitec, realizada no dia 08 de agosto de 2025, deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose. Para essa deliberação, o Comitê considerou que não houve contribuições que pudessem alterar as análises ou sugerir resultados diferentes daqueles já previamente apresentados. Dessa forma, manteve-se o entendimento favorável à ampliação de uso do procedimento para essa população. Assim, foi assinado o Registro de Deliberação nº 1029/2025. <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2025/relatorio-de-recomendacao-com-decisao-final-no-1029-elastografia/@@display-file/file.pdf Relatório de Recomendação de Ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose ]</ref>
  
Os membros do Comitê de Produtos e Procedimentos presentes na 143ª Reunião Ordinária do Conitec, realizada no dia 08 de agosto de 2025, deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose. Para essa deliberação, o Comitê considerou que não houve contribuições que pudessem alterar as análises ou sugerir resultados diferentes daqueles já previamente apresentados. Dessa forma, manteve-se o entendimento favorável à ampliação de uso do procedimento para essa população. Assim, foi assinado o Registro de Deliberação nº 1029/2025.
+
Em 19 de junho de 2026, os membros do Comitê de Produtos e Procedimentos da Conitec presentes na 152ª Reunião Ordinária, deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso da elastografia hepática ultrassônica para o estadiamento e monitoramento da fibrose hepática em pacientes com colangite biliar primária. Foi assinado o registro de deliberação nº 1.126/2026.  <ref>[https://https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-1-125-elastografia-hepatica/@@display-file/file.pdf Relatório de Recomendação de Elastografia hepática ultrassônica para o estadiamento e monitoramento da fibrose hepática em pacientes com colangite biliar primária]</ref>
  
 
==Padronização do SUS==
 
==Padronização do SUS==
Linha 41: Linha 51:
 
'''02.05.02.022-4 - ELASTOGRAFIA HEPÁTICA ULTRASSÔNICA'''
 
'''02.05.02.022-4 - ELASTOGRAFIA HEPÁTICA ULTRASSÔNICA'''
  
MÉTODO DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVO DE FIBROSE HEPÁTICA, REALIZADO POR MEIO DA MEDIDA DA VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE ONDAS ULTRASSONOGRÁFICAS QUE ATRAVESSAM O FÍGADO. UTILIZADO NAS SEGUINTES CONDIÇÕES: A. DIAGNÓSTICO DA FIBROSE HEPÁTICA; B. ESTADIAMENTO DA FIBROSE HEPÁTICA; C. ACOMPANHAMENTO. INDICADO PARA PESSOAS COM DIAGNÓSTICO DE HEPATITE VIRAL.  
+
MÉTODO DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVO DE FIBROSE HEPÁTICA, REALIZADO POR MEIO DA MEDIDA DA VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE ONDAS ULTRASSONOGRÁFICAS QUE ATRAVESSAM O FÍGADO. UTILIZADO NAS SEGUINTES CONDIÇÕES: A. DIAGNÓSTICO DA FIBROSE HEPÁTICA; B. ESTADIAMENTO DA FIBROSE HEPÁTICA; C. ACOMPANHAMENTO. INDICADO PARA PESSOAS COM DIAGNÓSTICO DE HEPATITE VIRAL.
  
Sendo que até a presente data não foi implementada nesta tabela a indicação deste parecer da CONITEC de ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose
+
'''Sendo que até a presente data não foi implementada nesta tabela a indicação deste parecer da CONITEC de ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose em pacientes com colangite biliar primária.'''
  
 
== Referências ==
 
== Referências ==
  
 
<references/>
 
<references/>

Edição atual tal como às 14h48min de 20 de agosto de 2026

Índice

A Elastografia Hepática

A elastografia hepática ultrassônica é um método não invasivo utilizado para diagnóstico da fibrose hepática. Entre as técnicas de elastografia existentes, temos a elastografia transitória e a elastografia por irradiação de força de impulso acústico (ARFI, do inglês Acoustic Radiation Force Impulse). Ambas as técnicas são realizadas em aparelhos de ultrassonografia tradicionais, sendo que apenas a elastografia do tipo ARFI está disponível no SUS.

O exame da elastografia hepática, independentemente do tipo, é um procedimento (exame de imagem) de fácil realização, reprodutível e pode ser realizado à beira do leito ou em atendimento ambulatorial. O tempo necessário para a aquisição das medidas em média é menor que cinco minutos. Ressalta-se que o exame da elastografia hepática é operador dependente, sendo que a experiência influencia diretamente a confiabilidade das medidas. Para a elastografia transitória, 100 exames são necessários como treinamento mínimo para habilitação do operador. Já para elastografia do tipo ARFI, não há um consenso sobre a experiência necessária do operador. Os resultados da elastografia hepática devem ser interpretados por um especialista, o qual deve associar os achados com aspectos clínicos de cada paciente.

Portarias

A PORTARIA SCTIE N. 47, DE 29 DE SETEMBRO DE 2015, torna pública a decisão de incorporar no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS o procedimento de elastografia ultrassônica hepática, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. [1]

A PORTARIA SECTICS/MS Nº 66, DE 15 DE SETEMBRO DE 2025, torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose. [2]

PORTARIA SCTIE/MS Nº 45, DE 20 DE JULHO DE 2026, torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, da elastografia hepática ultrassônica para o estadiamento e o monitoramento da fibrose hepática em pacientes com colangite biliar primária. [3]

Relatórios de Recomendações da CONITEC

Elastografia Hepática Ultrassônica no Diagnóstico da Fibrose Hepática:

A complexidade da biópsia hepática promove uma limitação principalmente no acompanhamento da progressão ou regressão da fibrose hepática, visto que, para esta finalidade, seria necessária a repetição do método, aumentando riscos de complicações ao indivíduo. A ultrassonografia com elastografia hepática se mostra como uma boa alternativa à biópsia para avaliação inicial e seguimento da progressão ou regressão da fibrose hepática de diversas doenças do fígado. Por ser um método não invasivo, possui várias vantagens em relação à biopsia. Dentre elas destaca-se o fato de ser indolor o que promove uma maior adesão do paciente ao diagnóstico e acompanhamento, rápida execução e não necessita de preparo e/ou jejum. As evidências científicas encontradas na literatura demonstram que a elastografia hepática ultrassônica, seja com a tecnologia transiente ou por meio da tecnologia ARFI com onda de cisalhamento (Shear Wave), indicam que os valores de sensibilidade e especificidade do exame se elevam proporcionalmente ao grau de evolução da fibrose, sendo mais acurados quando se trata de quadros de cirrose do que quando o estadiamento se encontra em METAVIR F1 ou F2.

Os valores apresentados indicam que a elastografia hepática ultrassônica é uma alternativa segura e efetiva e pode ser uma ferramenta extremamente útil para a triagem e acompanhamento da fibrose hepática em pacientes portadores de patologias do fígado, podendo evitar inúmeras biópsias desnecessárias. Mais do que a economia gerada ao sistema de saúde, evitar biópsias desnecessárias representa um ganho significativo em qualidade de vida para os pacientes, que passarão a contar com um exame indolor e sem as complicações e efeitos que um procedimento invasivo representa para o seu bem-estar.

Para o Diagnóstico da Fibrose Hepática em Pacientes com Esquistossomose:

A síntese de evidência da acurácia da elastografia comparado à biópsia hepática demonstra que a elastografia apresenta um grau de acurácia de aceitável a excelente, com estimativas de sensibilidade e especificidade acima do limiar de relevância clínica (60%). A sensibilidade sumária variou de 78% a 87% e a especificidade sumária variou de 79% a 90%, a depender do grau da fibrose, sendo mais acurada nos graus mais avançados (F3 e F4). No estágio inicial da fibrose hepática (F2), existe uma possibilidade importante de falso-positivos com o uso da elastografia (10 a 21%), o que poderia levar pacientes sem a condição a receberem algum tipo de tratamento. Entretanto, pelo fato de a biópsia ser um exame invasivo, com risco de complicações ao indivíduo, a sua utilização em indivíduos com sinais e sintomas sugestivos de estágios iniciais da fibrose é bastante limitada. Dessa forma, o impacto de falso-positivo e início de tratamento para alguns pacientes que fariam a elastografia pode ser balanceado pelo potencial subdiagnóstico e falta de tratamento para outros pacientes que não seriam avaliados em contexto em que apenas a biópsia está disponível.

A análise de custo-efetividade revelou que a elastografia apresentou um custo inferior (R$ 179,91); no entanto, resultou em uma menor taxa de diagnósticos corretos de fibrose, com variação entre 10% e 21%, dependendo do grau da fibrose, em comparação à biópsia. A redução do número de diagnósticos corretos está alinhada à premissa da análise, uma vez que não é possível identificar resultados falsos positivos ou negativos atribuíveis ao teste de referência. Dessa forma, a análise indica que uma economia de R$ 852,64 a R$ 1746,58 por cada resultado correto a menos seria alcançada, a depender do grau de fibrose. Na presente análise, não foi evidenciado que haja diferença clinicamente significativa entre elastografia e biópsia, uma vez que a sensibilidade e especificidade da elastografia foram elevadas. Os resultados das análises de sensibilidade determinísticas demonstram que o parâmetro que mais impacta na RCEI em todos os graus de fibrose é o custo do exame da biópsia. Os resultados das análises de sensibilidade probabilística corroboram com os resultados apresentados na análise do caso base.

Para o Estadiamento e Monitoramento da Fibrose Hepática em Pacientes com Colangite Biliar Primária:

Apesar das limitações metodológicas encontradas nos estudos, as evidências disponíveis indicam que as diferentes técnicas de elastografia hepática apresentam acurácia diagnóstica semelhante e adequada (≥80%) para o estadiamento e monitoramento da fibrose hepática em pacientes com CBP, especialmente para estágios mais avançados. A análise comparativa não evidenciou diferenças significativas entre o desempenho das tecnologias, sendo importante ressaltar que esse resultado está associado a grande incerteza, devido ao número reduzido de estudos, o que limita a robustez do achado. Destaca-se, que as técnicas disponíveis no SUS (ARFI, p-SWE e 2D-SWE) são operadores dependentes, o que pode afetar a qualidade dos resultados e reforça a necessidade de capacitação contínua dos profissionais que realizam esse procedimento.

Recomendação Final da Conitec

A CONITEC, na presença dos membros, na reunião do plenário do dia 02/07/2015 deliberou por unanimidade recomendar a incorporação do procedimento de elastografia hepática ultrassônica conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Foi assinado o Registro de Deliberação nº 132/2015.

Os membros do Comitê de Produtos e Procedimentos presentes na 143ª Reunião Ordinária do Conitec, realizada no dia 08 de agosto de 2025, deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose. Para essa deliberação, o Comitê considerou que não houve contribuições que pudessem alterar as análises ou sugerir resultados diferentes daqueles já previamente apresentados. Dessa forma, manteve-se o entendimento favorável à ampliação de uso do procedimento para essa população. Assim, foi assinado o Registro de Deliberação nº 1029/2025. [4]

Em 19 de junho de 2026, os membros do Comitê de Produtos e Procedimentos da Conitec presentes na 152ª Reunião Ordinária, deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso da elastografia hepática ultrassônica para o estadiamento e monitoramento da fibrose hepática em pacientes com colangite biliar primária. Foi assinado o registro de deliberação nº 1.126/2026. [5]

Padronização do SUS

Conforme a tabela SIGTAP/SUS consta o código do exame diagnóstico:

02.05.02.022-4 - ELASTOGRAFIA HEPÁTICA ULTRASSÔNICA

MÉTODO DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVO DE FIBROSE HEPÁTICA, REALIZADO POR MEIO DA MEDIDA DA VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE ONDAS ULTRASSONOGRÁFICAS QUE ATRAVESSAM O FÍGADO. UTILIZADO NAS SEGUINTES CONDIÇÕES: A. DIAGNÓSTICO DA FIBROSE HEPÁTICA; B. ESTADIAMENTO DA FIBROSE HEPÁTICA; C. ACOMPANHAMENTO. INDICADO PARA PESSOAS COM DIAGNÓSTICO DE HEPATITE VIRAL.

Sendo que até a presente data não foi implementada nesta tabela a indicação deste parecer da CONITEC de ampliação de uso da elastografia hepática para o diagnóstico da fibrose hepática em pacientes com esquistossomose em pacientes com colangite biliar primária.

Referências