Mudanças entre as edições de "Teste Molecular ''Mycobacterium leprae'' para Diagnóstico de Hanseníase"

 
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==Informações Sobre a Doença==  
 
==Informações Sobre a Doença==  
  
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, crônica, de evolução lenta, provocada pelo ''Mycobacterium leprae'', um parasita intracelular obrigatório. É uma das doenças mais antigas da história da humanidade, também conhecida como lepra.
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A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, de evolução lenta, causada pelo bacilo álcool-ácido resistente Mycobacterium leprae. Está associada a condições de vulnerabilidade social, incluindo a pobreza e acesso limitado à moradia, alimentação, educação e serviços de saúde. A hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo levar a neuropatias, deformidades e incapacidades funcionais, especialmente em mãos, pés e olhos, sobretudo quando o diagnóstico é tardio. As sequelas físicas resultam em impactos funcionais e psicológicos importantes, com redução da autoestima, autossegregação e exclusão social, fatores que dificultam o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e o enfrentamento do estigma.
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O M. leprae é um parasita intracelular obrigatório, de replicação lenta e não passível de cultivo em meio in vitro, o que limita o conhecimento sobre mecanismos de transmissão, suscetibilidade e tropismo neural. Acredita-se que a transmissão ocorra principalmente pela inalação de gotículas eliminadas por indivíduos não tratados com alta carga bacilar, sendo as vias aéreas superiores a principal porta de entrada. A partir delas, o bacilo dissemina-se, predominantemente por via hematogênica, para pele, mucosas, nervos e outros tecidos. O período de incubação é variável, com média de cinco anos. <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-1-124-teste-de-deteccao-molecular-qualitativa-do-mycobacterium-leprae/@@display-file/file Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em pacientes com lesões suspeitas e baciloscopia negativa]</ref>
  
 
Acomete especialmente pele, mucosas e nervos periféricos, ocasionando deformidades e incapacidades físicas com relevante impacto social, na qualidade de vida e autoestima dos pacientes, face a estigmatização da doença. Mesmo sendo uma doença milenar, ainda existem perguntas a serem respondidas devido a dificuldades quanto ao entendimento mais aprofundado sobre a transmissão, suscetibilidade, tropismo e acometimento neural, uma vez que o bacilo não se desenvolve in vitro.
 
Acomete especialmente pele, mucosas e nervos periféricos, ocasionando deformidades e incapacidades físicas com relevante impacto social, na qualidade de vida e autoestima dos pacientes, face a estigmatização da doença. Mesmo sendo uma doença milenar, ainda existem perguntas a serem respondidas devido a dificuldades quanto ao entendimento mais aprofundado sobre a transmissão, suscetibilidade, tropismo e acometimento neural, uma vez que o bacilo não se desenvolve in vitro.
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De acordo com a OMS, em 2023 foram registrados 182.815 casos novos de hanseníase no mundo, correspondendo a uma taxa de detecção de 22,7 casos por 1 milhão de habitantes, sendo que
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10.322 novos casos ocorreram em menores de 15 anos.
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O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial em número absoluto de casos. Segundo o Boletim Epidemiológico da Hanseníase (2021), em 2019 foram notificados 27.864 casos novos, sendo 78,4% multibacilares e 5,5% em menores de 15 anos. Entre 23.843 pacientes avaliados, 9,9% apresentaram grau 2 de
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incapacidade física.
  
 
Atualmente a estratégia global para hanseníase 2021-2030 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) redefiniu a meta para eliminação da doença, definida pela interrupção da transmissão e no alcance de zero infecção e doença, zero incapacidade, zero estigma e zero discriminação.
 
Atualmente a estratégia global para hanseníase 2021-2030 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) redefiniu a meta para eliminação da doença, definida pela interrupção da transmissão e no alcance de zero infecção e doença, zero incapacidade, zero estigma e zero discriminação.
  
Para o alcance da meta prevista pela OMS, torna-se imperativo investir em ações voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento adequado com interrupção da cadeia de transmissão, impedindo o avanço da doença, com ações planejadas e direcionadas às populações em risco. Nessa perspectiva, este parecer tem como objetivo avaliar como método diagnóstico complementar o teste, reação em cadeia polimerase em tempo real (qPCR) colhido por meio de biópsia de pele ou nervos.
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Para o alcance da meta prevista pela OMS, torna-se imperativo investir em ações voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento adequado com interrupção da cadeia de transmissão, impedindo o avanço da doença, com ações planejadas e direcionadas às populações em risco. <ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2021/relatrio_690_teste-molecular_hanseniase.pdf Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para o diagnóstico de hanseníase]</ref>
<ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2021/relatrio_690_teste-molecular_hanseniase.pdf Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para o diagnóstico de hanseníase]</ref>
 
  
== O Relatório de Recomentação para o Teste de Detecção Molecular Qualitativa do Mycobacterium leprae para o Diagnóstico de Hanseníase ==
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== Os Relatórios de Recomentação para o Teste de Detecção Molecular Qualitativa do Mycobacterium leprae para o Diagnóstico de Hanseníase ==
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A [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2026/portaria-sctie-ms-no-51-de-31-de-julho-de-2026/@@display-file/file PORTARIA SCTIE/MS Nº 51, DE 31 DE JULHO DE 2026]<ref>[https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2026/portaria-sctie-ms-no-51-de-31-de-julho-de-2026/@@display-file/file PORTARIA SCTIE/MS Nº 51, DE 31 DE JULHO DE 2026]</ref> aprovou o [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-1-124-teste-de-deteccao-molecular-qualitativa-do-mycobacterium-leprae/@@display-file/file Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em pacientes com lesões suspeitas e baciloscopia negativa]. 
  
 
A [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2021/20220103_portaria_78.pdf PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021]  
 
A [https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2021/20220103_portaria_78.pdf PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021]  
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* '''Critérios de Inclusão:'''  
 
* '''Critérios de Inclusão:'''  
  
Esta PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021 Tornou pública a decisão de incorporar, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, o teste de biologia molecular de reação em cadeia polimerase em tempo real (qPCR) para a detecção qualitativa de marcadores específicos do material genético de Mycobacterium leprae para diagnóstico de hanseníase, em amostras de biopsia de pele ou de nervos.
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Esta PORTARIA SCTIE/MS Nº 51, DE 31 DE JULHO DE 2026 Torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, do teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae por meio da técnica de reação em cadeia da polimerase em tempo real com amostra de raspado intradérmico ou biópsia de pele ou de nervo para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em casos suspeitos, sendo ou não contato.
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Esta PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021 Torna pública a decisão de incorporar, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, o teste de biologia molecular de reação em cadeia polimerase em tempo real (qPCR) para a detecção qualitativa de marcadores específicos do material genético de Mycobacterium leprae para diagnóstico de hanseníase, em amostras de biopsia de pele ou de nervos.
  
 
Conforme determina o art. 25 do Decreto nº 7.646/2011, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias para efetivar a oferta no SUS.
 
Conforme determina o art. 25 do Decreto nº 7.646/2011, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias para efetivar a oferta no SUS.
  
==Descrição Técnica da Tecnologia==
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== O Relatório de Recomendação da CONITEC - Diagnóstico da Hanseníase ==
  
Tipo Teste de Biologia Molecular
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As manifestações clínicas e a patogenicidade da hanseníase estão relacionadas tanto à infecção pelo M. leprae, quanto às reações hansênicas, ambos determinantes para a definição do tratamento. Conforme recomendado no 8º Relatório do Comitê de Expertos em Hanseníase da OMS, a investigação da doença deve ser realizada quando o indivíduo apresenta um ou mais dos seguintes sinais: manchas na pele de coloração esbranquiçada ou avermelhada; diminuição ou perda da sensibilidade nas lesões; dormência ou formigamento em mãos ou pés; dor ou sensibilidade aumentada em nervos periféricos; inchaço ou nódulos na face ou nos lóbulos das orelhas; feridas ou queimaduras nas mãos ou pés que não provocam dor.
  
- Princípio do teste/método diagnóstico/procedimento Molecular, qPCR - Reação em Cadeia Polimerase em tempo real permite detecção de
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A hanseníase apresenta diferentes formas clínicas, determinadas principalmente pela resposta imunológica do indivíduo ao M. leprae. Para fins de manejo terapêutico, o Ministério da Saúde divide em paucibacilar e multibacilar, baseada no número de lesões cutâneas e nervos afetados com alteração da função e no resultado da baciloscopia. Essa classificação é fundamental para definir o esquema e a duração da poliquimioterapia única (PQT-U), além de auxiliar na avaliação do risco de incapacidades.
marcadores específicos do material genético de ''Mycobacterium leprae''.Teste qualitativo (atesta presença ou ausência do alvo na amostra)
 
  
- Nome comercial KIT NAT Hanseníase
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O diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento são fundamentais para interromper a transmissão do M. leprae e prevenir o desenvolvimento de incapacidades físicas.
  
- Apresentação Módulo de amplificação para a detecção de 31 amostras em triplicata:
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Entretanto, a ampla variabilidade das manifestações clínicas, aliada à presença de formas iniciais com sinais inespecíficos, como na forma indeterminada pode dificultar a identificação dos casos, resultando tanto em falsos positivos quanto em falsos negativos. Essas limitações têm implicações importantes: a subnotificação favorece a continuidade da transmissão e aumenta o risco de incapacidades, enquanto o sobrediagnóstico leva a tratamentos desnecessários, estigma, sofrimento emocional e distorção das estatísticas epidemiológicas.
Controle Positivo em reação única e controle negativo em duplicata;
 
01 frasco com 1100 0 µL de Água RNase Free;
 
01 frasco com 900 µL de Mistura de PCR;
 
01 frasco com 110 µL de OligoMix;
 
01 frasco com 20 µL de Controle Negativo;
 
01 frasco com 20 µL de Controle Positivo.
 
  
- Fabricante INSTITUTO DE BIOLOGIA MOLECULAR DO PARANÁ – IBMP CNPJ: 03.585.986/0001-05
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* '''Diagnóstico Clínico:'''
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A hanseníase é uma doença de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo o país. Apresenta amplo espectro de manifestações clínicas e histopatológicas influenciadas grandemente pelos diferentes padrões de resposta imunológica individual frente à infecção. Os órgãos principalmente acometidos são pele, mucosas, nervos periféricos e sistema reticulo endotelial. Entretanto, também pode ocorrer acometimento dos ossos, visão, articulações, trato respiratório superior, testículos e glândulas adrenais. O período de incubação da hanseníase é longo variando de 2 a 7 anos, uma vez que o bacilo se desenvolve lentamente.
  
- Registro na Anvisa nº 80780040007 - válido: 24/05/2031
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As lesões cutâneas mais comuns são: manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, sem relevo; pápulas (lesões sólidas, com elevação superficial e circunscrita; infiltrações), tubérculos (lesões sólidas e elevadas semelhantes a caroços externos) e nódulos. Dentre os sinais e sintomas  neurológicos estão as neurites, lesões decorrentes de inflamações dos nervos periféricos, que são causados tanto pela ação direta do bacilo nos nervos, como por uma resposta do organismo ao bacilo.
  
- Indicação Detecção qualitativa de material genético de ''Mycobacterium leprae'' em DNA total como auxiliar e/ou confirmar o diagnóstico clínico de Hanseníase.
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Atualmente existem dois sistemas de classificação da hanseníase amplamente aceitos e utilizados para nortear condutas e definir diagnóstico. A primeira é a classificação de Ridley Jopling, de 1966, baseada em manifestações clínicas, características histopatológicas e índice baciloscópico (IB), categorizando diferentes tipos de hanseníase ao longo de um espectro, com as formas polares e estáveis - tuberculoide (TT) e lepromatosa ou virchowiana (LL), e as formas instáveis borderline, que apresentam variabilidade clínica e imunológica, divididas em borderline tuberculoide (BT), borderline borderline (BB) e borderline lepromatosa (BL).
  
- Parâmetro mensurado DNA total extraído de biópsia de pele ou nervos. 2-6 mm de amostra coletada por punch - conservar em etanol 70% e armazenar a -20°C até o momento da extração de DNA.
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A segunda classificação é da OMS e leva em conta o número de lesões cutâneas e o índice baciloscópico. Os pacientes são classificados como hanseníase paucibacilar (PB) quando o número de lesões cutâneas é de 1 a 5, e como hanseníase multibacilar (MB) quando o número de lesões cutâneas é superior a 5, ou com baciloscopia positiva, independentemente do número de lesões cutâneas.  
  
- Padrão ouro Avaliação clínica, dermatoneurológica.
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Para um diagnóstico clínico mais assertivo é fundamental o conhecimento quanto ao espectro da patologia, permitindo relacionar o curso da doença com a extensão do envolvimento neural, característico de cada forma clínica da hanseníase.  
  
- Limite de detecção o limite de detecção calculado com 95% de probabilidade (LOD95) para o KIT BIOMOL Hanseníase é aproximadamente 3.800 fg µL para 16S e 55 fg/µL para RLEP. Para fins de testesno controle de qualidade, os limites de detecção obtidos utilizando o controle sintético para 16S e RLEP foram, respectivamente, 204 e 194,5 cópias/reação.
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* '''Diagnóstico Laboratorial Específico:'''
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Até o momento não existe nenhum teste que seja suficientemente acurado para o diagnóstico da
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hanseníase, uma vez que existem amplas variações da forma clínica, que impactam diretamente na capacidade diagnóstica de cada exame. Ademais, não existem testes para diagnosticar casos assintomáticos ou para prever a progressão da doença em indivíduos expostos, representando um grande desafio para o controle da doença. Desse modo, a confirmação do caso tem sido feita com base na combinação de avaliação clínica dermatoneurológica e baciloscópica, quando disponível. A detecção precoce dos casos e o tratamento oportuno e adequado são essenciais para a interrupção da cadeia de transmissão da doença. A proposta é a inclusão do teste rápido em linha com a baciloscopia e o PCR.
  
- Descrição do resultado 16SrRNA < 35,5 e RLEP < 34,5 = Positiva para DNA de M. leprae
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A baciloscopia e a histopatologia (biópsia) fazem parte do pequeno grupo de exames laboratoriais utilizados na rotina para auxiliar no diagnóstico da hanseníase, a baciloscopia está indicada em caso de dúvida na classificação para instituição do tratamento, no diagnóstico diferencial com outras doenças dermatológicas e em casos suspeitos de recidiva. O M. leprae pode ser encontrado na microscopia de raspados de tecido dérmico de qualquer lesão suspeita, lóbulos da orelha ou dos cotovelos, já o histopatológico é empregado em casos que persistem indefinidos mesmo após a avaliação clínica e laboratorial de rotina.  
16SrRNA < 35,5 e RLEP ≥ 34,5 = Negativa para DNA de ''M. leprae''
 
16SrRNA ≥ 35,5 e RLEP < 34,5 = Equivocal
 
16SrRNA ≥ 35,5 e RLEP ≥ 34,5 = Negativa para DNA de ''M. leprae''
 
  
- Equipamento - Equipamento - 7500 Real-Time PCR (Applied Biosystems) - Kit DNeasy Blood & Tissue Kit (Qiagen) validado para a extração do DNA.
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Os testes sorológicos para hanseníase detectam anticorpos IgM contra o antígeno glicolipídico-fenólico 1 (PGL-1), específico do M. leprae. No Brasil, o teste rápido ML Flow foi incorporado ao SUS para a vigilância de contatos, auxiliando na identificação daqueles com maior risco de adoecimento e no direcionamento do monitoramento clínico. Apesar de sua utilidade como ferramenta de triagem, o teste não deve ser utilizado como critério diagnóstico isolado, pois indivíduos saudáveis em áreas endêmicas podem apresentar resultados positivos, e sua utilidade é limitada entre pacientes paucibacilares, uma vez que esses indivíduos geralmente não produzem anticorpos detectáveis.
  
- Preço proposto demandante R$ 97,00 cada módulo de amplificação para a detecção de 31 amostras em triplicata.
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O desafio de identificar os bacilos em lesões paucibacilares, em contactantes domiciliares de pacientes com hanseníase ou em infecções subclínicas começou a ser superado com o desenvolvimento da técnica de reação em cadeia polimerase - PCR. Em linhas gerais, a técnica consiste na extração, amplificação e identificação de DNA do ''M. leprae'' em amostras clínicas extraídas de diferentes tipos de amostra, como fragmentos de biópsia de pele ou nervo e esfregaços de raspado intradérmico. A detecção do material genético do M. leprae em casos de difícil diagnóstico como em pacientes com baciloscopia negativa ou histopatologia inconclusiva por meio da PCR, surgiu como a possibilidade de um método promissor no alcance do diagnóstico correto com a possibilidade de identificar a doença precocemente.
  
==Diagnóstico da Hanseníase==
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==Descrição Técnica da Tecnologia==
  
* '''Diagnóstico Clínico:''' a hanseníase é uma doença de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo o país. Apresenta
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A técnica de qPCR consiste na extração, amplificação e detecção qualitativa do DNA de M. leprae em amostras de pele, nervo ou outros tecidos de indivíduos com suspeita de infecção.
amplo espectro de manifestações clínicas e histopatológicas influenciadas grandemente pelos diferentes padrões de resposta imunológica individual frente à infecção. Os órgãos principalmente acometidos são pele, mucosas, nervos periféricos e sistema reticulo endotelial. Entretanto, também pode ocorrer acometimento dos ossos, visão, articulações, trato respiratório superior, testículos e glândulas adrenais. O período de incubação da hanseníase é longo variando de 2 a 7 anos, uma vez que o bacilo se desenvolve lentamente.
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Após o isolamento do DNA, a detecção pode ser realizada de forma direta, pela visualização dos fragmentos amplificados em gel de agarose, ou indiretamente, por hibridização com sondas de DNA complementares marcadas.
 
 
As lesões cutâneas mais comuns são: manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, sem relevo; pápulas (lesões sólidas, com elevação superficial e circunscrita; infiltrações), tubérculos (lesões sólidas e elevadas semelhantes a caroços externos) e nódulos. Dentre os sinais e sintomas  neurológicos estão as neurites, lesões decorrentes de inflamações dos nervos periféricos, que são causados tanto pela ação direta do bacilo nos nervos, como por uma resposta do organismo ao bacilo.
 
  
Atualmente existem dois sistemas de classificação da hanseníase amplamente aceitos e utilizados para nortear condutas e definir diagnóstico. A primeira é a classificação de Ridley Jopling, de 1966, baseada em manifestações clínicas, características histopatológicas e índice baciloscópico (IB), categorizando diferentes tipos de hanseníase ao longo de um espectro, com as formas polares e estáveis - tuberculoide (TT) e lepromatosa ou virchowiana (LL), e as formas instáveis borderline, que apresentam variabilidade clínica e imunológica, divididas em borderline tuberculoide (BT), borderline borderline (BB) e borderline lepromatosa (BL).
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Para fins de diagnóstico, a confirmação do gênero Mycobacterium é obtida pela amplificação da sequência alvo de uma região conservada do gene 16S rRNA, enquanto a identificação específica de M. leprae é realizada por meio da amplificação do alvo repetitivo RLEP, o que possibilita detectar mesmo pequenas quantidades do bacilo.
  
A segunda classificação é da OMS e leva em conta o número de lesões cutâneas e o índice baciloscópico. Os pacientes são classificados como hanseníase paucibacilar (PB) quando o número de lesões cutâneas é de 1 a 5, e como hanseníase multibacilar (MB) quando o número de lesões cutâneas é superior a 5, ou com baciloscopia positiva, independentemente do número de lesões cutâneas.  
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A tecnologia requer capacitação e habilitação para utilização.
  
Para um diagnóstico clínico mais assertivo é fundamental o conhecimento quanto ao espectro da patologia, permitindo relacionar o curso da doença com a extensão do envolvimento neural, característico de cada forma clínica da hanseníase.
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== Recomendação Final da Conitec ==
  
* '''Diagnóstico Laboratorial Específico:''' até o momento não existe nenhum teste que seja suficientemente acurado para o diagnóstico da  
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Aos 19 (dezenove) dias do mês de junho de 2026, reuniu-se o Comitê de Comitê de Produtos e Procedimentos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – Conitec, regulamentado pelo Decreto nº 7.646, de 21 de dezembro de 2011, e os membros presentes deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso do Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae por meio da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real (qPCR) por raspado intradérmico ou biópsia de pele ou nervo para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em casos suspeitos. Para esta decisãoconsiderou-se a necessidade de aumento do arsenal diagnóstico para a hanseníase, os benefícios do tratamento
hanseníase, uma vez que existem amplas variações da forma clínica, que impactam diretamente na capacidade diagnóstica de cada exame. Ademais, não existem testes para diagnosticar casos assintomáticos ou para prever a progressão da doença em indivíduos expostos, representando um grande desafio para o controle da doença. Desse modo, a confirmação do caso tem sido feita com base na combinação de avaliação clínica dermatoneurológica e baciloscópica, quando disponível. A detecção precoce dos casos e o tratamento oportuno e adequado são essenciais para a interrupção da cadeia de transmissão da doença. A proposta é a inclusão do teste rápido em linha com a baciloscopia e o PCR.
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precoce, a necessidade não atendida de não contactantes com clínica suspeita e a atualização tecnológica para contactantes. Assim foi redigido o Registro de Deliberação Nº1.125/2026.
  
A baciloscopia e a histopatologia (biópsia) fazem parte do pequeno grupo de exames laboratoriais utilizados na rotina para auxiliar no diagnóstico da hanseníase, a baciloscopia está indicada em caso de dúvida na classificação para instituição do tratamento, no diagnóstico diferencial com outras doenças dermatológicas e em casos suspeitos de recidiva. O M. leprae pode ser encontrado na microscopia de raspados de tecido dérmico de qualquer lesão suspeita, lóbulos da orelha ou dos cotovelos, já o histopatológico é empregado em casos que persistem indefinidos mesmo após a avaliação clínica e laboratorial de rotina.
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==Padronização do SUS==
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Conforme a tabela SIGTAP/SUS consta o código do procedimento com finalidade diagnóstica teste/exame:
  
Os testes sorológicos com a detecção de anticorpos IgM anti-PGL-I não pode ser utilizada como um teste de diagnóstico, pois ele não faz a definição de casos, mas pode ser utilizado como diagnóstico complementar combinando seus resultados com outros dados clínicos e diagnósticos.
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'''02.13.01.073-9 - TESTE DE BIOLOGIA MOLECULAR PARA HANSENÍASE.'''
  
O desafio de identificar os bacilos em lesões paucibacilares, em contactantes domiciliares de pacientes com hanseníase ou em infecções subclínicas começou a ser superado com o desenvolvimento da técnica de reação em cadeia polimerase - PCR. Em linhas gerais, a técnica consiste na extração, amplificação e identificação de DNA do ''M. leprae'' em amostras clínicas extraídas de pele, nervos, sangue periférico e em vários tipos diferentes de amostras, como urina, raspados orais ou nasais e lesões oculares (34). A detecção do material genético do M. leprae em casos de difícil diagnóstico como em pacientes com baciloscopia negativa ou histopatologia inconclusiva por meio da PCR, surgiu como a possibilidade de um método promissor no alcance do diagnóstico correto com a possibilidade de identificar a doença precocemente.
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Descrição: TESTE DE BIOLOGIA MOLECULAR DE REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE EM TEMPO REAL (QPCR), PARA DETECÇÃO QUALITATIVA DE MARCADORES ESPECÍFICOS DE MATERIAL GENÉTICO DE MYCOBACTERIUM LEPRAE EM AMOSTRAS DE BIÓPSIA DE PELE OU DE NERVOS DE FORMA COMPLEMENTAR AO DIAGNÓSTICO DE HANSENIASE.
  
 
== Referências ==
 
== Referências ==
  
 
<references/>
 
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Edição atual tal como às 18h57min de 24 de agosto de 2026

Índice

Informações Sobre a Doença

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, de evolução lenta, causada pelo bacilo álcool-ácido resistente Mycobacterium leprae. Está associada a condições de vulnerabilidade social, incluindo a pobreza e acesso limitado à moradia, alimentação, educação e serviços de saúde. A hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo levar a neuropatias, deformidades e incapacidades funcionais, especialmente em mãos, pés e olhos, sobretudo quando o diagnóstico é tardio. As sequelas físicas resultam em impactos funcionais e psicológicos importantes, com redução da autoestima, autossegregação e exclusão social, fatores que dificultam o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e o enfrentamento do estigma.

O M. leprae é um parasita intracelular obrigatório, de replicação lenta e não passível de cultivo em meio in vitro, o que limita o conhecimento sobre mecanismos de transmissão, suscetibilidade e tropismo neural. Acredita-se que a transmissão ocorra principalmente pela inalação de gotículas eliminadas por indivíduos não tratados com alta carga bacilar, sendo as vias aéreas superiores a principal porta de entrada. A partir delas, o bacilo dissemina-se, predominantemente por via hematogênica, para pele, mucosas, nervos e outros tecidos. O período de incubação é variável, com média de cinco anos. [1]

Acomete especialmente pele, mucosas e nervos periféricos, ocasionando deformidades e incapacidades físicas com relevante impacto social, na qualidade de vida e autoestima dos pacientes, face a estigmatização da doença. Mesmo sendo uma doença milenar, ainda existem perguntas a serem respondidas devido a dificuldades quanto ao entendimento mais aprofundado sobre a transmissão, suscetibilidade, tropismo e acometimento neural, uma vez que o bacilo não se desenvolve in vitro.

De acordo com a OMS, em 2023 foram registrados 182.815 casos novos de hanseníase no mundo, correspondendo a uma taxa de detecção de 22,7 casos por 1 milhão de habitantes, sendo que 10.322 novos casos ocorreram em menores de 15 anos.

O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial em número absoluto de casos. Segundo o Boletim Epidemiológico da Hanseníase (2021), em 2019 foram notificados 27.864 casos novos, sendo 78,4% multibacilares e 5,5% em menores de 15 anos. Entre 23.843 pacientes avaliados, 9,9% apresentaram grau 2 de incapacidade física.

Atualmente a estratégia global para hanseníase 2021-2030 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) redefiniu a meta para eliminação da doença, definida pela interrupção da transmissão e no alcance de zero infecção e doença, zero incapacidade, zero estigma e zero discriminação.

Para o alcance da meta prevista pela OMS, torna-se imperativo investir em ações voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento adequado com interrupção da cadeia de transmissão, impedindo o avanço da doença, com ações planejadas e direcionadas às populações em risco. [2]

Os Relatórios de Recomentação para o Teste de Detecção Molecular Qualitativa do Mycobacterium leprae para o Diagnóstico de Hanseníase

A PORTARIA SCTIE/MS Nº 51, DE 31 DE JULHO DE 2026[3] aprovou o Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em pacientes com lesões suspeitas e baciloscopia negativa.

A PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021 [4] aprovou o Relatório de recomentação para o Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae para o diagnóstico de hanseníase.

  • Critérios de Inclusão:

Esta PORTARIA SCTIE/MS Nº 51, DE 31 DE JULHO DE 2026 Torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, do teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae por meio da técnica de reação em cadeia da polimerase em tempo real com amostra de raspado intradérmico ou biópsia de pele ou de nervo para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em casos suspeitos, sendo ou não contato.

Esta PORTARIA SCTIE/MS Nº 78, DE 31 DE DEZEMBRO DE 2021 Torna pública a decisão de incorporar, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, o teste de biologia molecular de reação em cadeia polimerase em tempo real (qPCR) para a detecção qualitativa de marcadores específicos do material genético de Mycobacterium leprae para diagnóstico de hanseníase, em amostras de biopsia de pele ou de nervos.

Conforme determina o art. 25 do Decreto nº 7.646/2011, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias para efetivar a oferta no SUS.

O Relatório de Recomendação da CONITEC - Diagnóstico da Hanseníase

As manifestações clínicas e a patogenicidade da hanseníase estão relacionadas tanto à infecção pelo M. leprae, quanto às reações hansênicas, ambos determinantes para a definição do tratamento. Conforme recomendado no 8º Relatório do Comitê de Expertos em Hanseníase da OMS, a investigação da doença deve ser realizada quando o indivíduo apresenta um ou mais dos seguintes sinais: manchas na pele de coloração esbranquiçada ou avermelhada; diminuição ou perda da sensibilidade nas lesões; dormência ou formigamento em mãos ou pés; dor ou sensibilidade aumentada em nervos periféricos; inchaço ou nódulos na face ou nos lóbulos das orelhas; feridas ou queimaduras nas mãos ou pés que não provocam dor.

A hanseníase apresenta diferentes formas clínicas, determinadas principalmente pela resposta imunológica do indivíduo ao M. leprae. Para fins de manejo terapêutico, o Ministério da Saúde divide em paucibacilar e multibacilar, baseada no número de lesões cutâneas e nervos afetados com alteração da função e no resultado da baciloscopia. Essa classificação é fundamental para definir o esquema e a duração da poliquimioterapia única (PQT-U), além de auxiliar na avaliação do risco de incapacidades.

O diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento são fundamentais para interromper a transmissão do M. leprae e prevenir o desenvolvimento de incapacidades físicas.

Entretanto, a ampla variabilidade das manifestações clínicas, aliada à presença de formas iniciais com sinais inespecíficos, como na forma indeterminada pode dificultar a identificação dos casos, resultando tanto em falsos positivos quanto em falsos negativos. Essas limitações têm implicações importantes: a subnotificação favorece a continuidade da transmissão e aumenta o risco de incapacidades, enquanto o sobrediagnóstico leva a tratamentos desnecessários, estigma, sofrimento emocional e distorção das estatísticas epidemiológicas.

  • Diagnóstico Clínico:

A hanseníase é uma doença de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo o país. Apresenta amplo espectro de manifestações clínicas e histopatológicas influenciadas grandemente pelos diferentes padrões de resposta imunológica individual frente à infecção. Os órgãos principalmente acometidos são pele, mucosas, nervos periféricos e sistema reticulo endotelial. Entretanto, também pode ocorrer acometimento dos ossos, visão, articulações, trato respiratório superior, testículos e glândulas adrenais. O período de incubação da hanseníase é longo variando de 2 a 7 anos, uma vez que o bacilo se desenvolve lentamente.

As lesões cutâneas mais comuns são: manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, sem relevo; pápulas (lesões sólidas, com elevação superficial e circunscrita; infiltrações), tubérculos (lesões sólidas e elevadas semelhantes a caroços externos) e nódulos. Dentre os sinais e sintomas neurológicos estão as neurites, lesões decorrentes de inflamações dos nervos periféricos, que são causados tanto pela ação direta do bacilo nos nervos, como por uma resposta do organismo ao bacilo.

Atualmente existem dois sistemas de classificação da hanseníase amplamente aceitos e utilizados para nortear condutas e definir diagnóstico. A primeira é a classificação de Ridley Jopling, de 1966, baseada em manifestações clínicas, características histopatológicas e índice baciloscópico (IB), categorizando diferentes tipos de hanseníase ao longo de um espectro, com as formas polares e estáveis - tuberculoide (TT) e lepromatosa ou virchowiana (LL), e as formas instáveis borderline, que apresentam variabilidade clínica e imunológica, divididas em borderline tuberculoide (BT), borderline borderline (BB) e borderline lepromatosa (BL).

A segunda classificação é da OMS e leva em conta o número de lesões cutâneas e o índice baciloscópico. Os pacientes são classificados como hanseníase paucibacilar (PB) quando o número de lesões cutâneas é de 1 a 5, e como hanseníase multibacilar (MB) quando o número de lesões cutâneas é superior a 5, ou com baciloscopia positiva, independentemente do número de lesões cutâneas.

Para um diagnóstico clínico mais assertivo é fundamental o conhecimento quanto ao espectro da patologia, permitindo relacionar o curso da doença com a extensão do envolvimento neural, característico de cada forma clínica da hanseníase.

  • Diagnóstico Laboratorial Específico:

Até o momento não existe nenhum teste que seja suficientemente acurado para o diagnóstico da hanseníase, uma vez que existem amplas variações da forma clínica, que impactam diretamente na capacidade diagnóstica de cada exame. Ademais, não existem testes para diagnosticar casos assintomáticos ou para prever a progressão da doença em indivíduos expostos, representando um grande desafio para o controle da doença. Desse modo, a confirmação do caso tem sido feita com base na combinação de avaliação clínica dermatoneurológica e baciloscópica, quando disponível. A detecção precoce dos casos e o tratamento oportuno e adequado são essenciais para a interrupção da cadeia de transmissão da doença. A proposta é a inclusão do teste rápido em linha com a baciloscopia e o PCR.

A baciloscopia e a histopatologia (biópsia) fazem parte do pequeno grupo de exames laboratoriais utilizados na rotina para auxiliar no diagnóstico da hanseníase, a baciloscopia está indicada em caso de dúvida na classificação para instituição do tratamento, no diagnóstico diferencial com outras doenças dermatológicas e em casos suspeitos de recidiva. O M. leprae pode ser encontrado na microscopia de raspados de tecido dérmico de qualquer lesão suspeita, lóbulos da orelha ou dos cotovelos, já o histopatológico é empregado em casos que persistem indefinidos mesmo após a avaliação clínica e laboratorial de rotina.

Os testes sorológicos para hanseníase detectam anticorpos IgM contra o antígeno glicolipídico-fenólico 1 (PGL-1), específico do M. leprae. No Brasil, o teste rápido ML Flow foi incorporado ao SUS para a vigilância de contatos, auxiliando na identificação daqueles com maior risco de adoecimento e no direcionamento do monitoramento clínico. Apesar de sua utilidade como ferramenta de triagem, o teste não deve ser utilizado como critério diagnóstico isolado, pois indivíduos saudáveis em áreas endêmicas podem apresentar resultados positivos, e sua utilidade é limitada entre pacientes paucibacilares, uma vez que esses indivíduos geralmente não produzem anticorpos detectáveis.

O desafio de identificar os bacilos em lesões paucibacilares, em contactantes domiciliares de pacientes com hanseníase ou em infecções subclínicas começou a ser superado com o desenvolvimento da técnica de reação em cadeia polimerase - PCR. Em linhas gerais, a técnica consiste na extração, amplificação e identificação de DNA do M. leprae em amostras clínicas extraídas de diferentes tipos de amostra, como fragmentos de biópsia de pele ou nervo e esfregaços de raspado intradérmico. A detecção do material genético do M. leprae em casos de difícil diagnóstico como em pacientes com baciloscopia negativa ou histopatologia inconclusiva por meio da PCR, surgiu como a possibilidade de um método promissor no alcance do diagnóstico correto com a possibilidade de identificar a doença precocemente.

Descrição Técnica da Tecnologia

A técnica de qPCR consiste na extração, amplificação e detecção qualitativa do DNA de M. leprae em amostras de pele, nervo ou outros tecidos de indivíduos com suspeita de infecção. Após o isolamento do DNA, a detecção pode ser realizada de forma direta, pela visualização dos fragmentos amplificados em gel de agarose, ou indiretamente, por hibridização com sondas de DNA complementares marcadas.

Para fins de diagnóstico, a confirmação do gênero Mycobacterium é obtida pela amplificação da sequência alvo de uma região conservada do gene 16S rRNA, enquanto a identificação específica de M. leprae é realizada por meio da amplificação do alvo repetitivo RLEP, o que possibilita detectar mesmo pequenas quantidades do bacilo.

A tecnologia requer capacitação e habilitação para utilização.

Recomendação Final da Conitec

Aos 19 (dezenove) dias do mês de junho de 2026, reuniu-se o Comitê de Comitê de Produtos e Procedimentos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – Conitec, regulamentado pelo Decreto nº 7.646, de 21 de dezembro de 2011, e os membros presentes deliberaram, por unanimidade, recomendar a ampliação de uso do Teste de detecção molecular qualitativa do Mycobacterium leprae por meio da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real (qPCR) por raspado intradérmico ou biópsia de pele ou nervo para auxiliar o diagnóstico de hanseníase em casos suspeitos. Para esta decisãoconsiderou-se a necessidade de aumento do arsenal diagnóstico para a hanseníase, os benefícios do tratamento precoce, a necessidade não atendida de não contactantes com clínica suspeita e a atualização tecnológica para contactantes. Assim foi redigido o Registro de Deliberação Nº1.125/2026.

Padronização do SUS

Conforme a tabela SIGTAP/SUS consta o código do procedimento com finalidade diagnóstica teste/exame:

02.13.01.073-9 - TESTE DE BIOLOGIA MOLECULAR PARA HANSENÍASE.

Descrição: TESTE DE BIOLOGIA MOLECULAR DE REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE EM TEMPO REAL (QPCR), PARA DETECÇÃO QUALITATIVA DE MARCADORES ESPECÍFICOS DE MATERIAL GENÉTICO DE MYCOBACTERIUM LEPRAE EM AMOSTRAS DE BIÓPSIA DE PELE OU DE NERVOS DE FORMA COMPLEMENTAR AO DIAGNÓSTICO DE HANSENIASE.

Referências