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Embora o tratamento para mielomeningocele com cirurgia seja eficaz para curar a lesão na coluna do bebê, não é capaz de tratar as sequelas que o bebê apresenta desde o nascimento. Isto é, caso o bebê tenha nascido com paralisia ou incontinência, por exemplo, não irá ficar curado, mas evitará o surgimento de novas sequelas que poderiam surgir por exposição da medula. | Embora o tratamento para mielomeningocele com cirurgia seja eficaz para curar a lesão na coluna do bebê, não é capaz de tratar as sequelas que o bebê apresenta desde o nascimento. Isto é, caso o bebê tenha nascido com paralisia ou incontinência, por exemplo, não irá ficar curado, mas evitará o surgimento de novas sequelas que poderiam surgir por exposição da medula. | ||
| − | '''A cirurgia pós natal para a correção da mielomeningocele é padronizada no SUS.''' | + | '''A cirurgia pós natal para a correção da mielomeningocele é padronizada no SUS: Código SIGTAP/SUS 04.03.01.022-5 - TRATAMENTO CIRÚRGICO DE DISRAFISMO ABERTO.''' |
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A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é considerada uma opção para casos selecionados, onde os benefícios superam os riscos. Geralmente, é indicada quando há evidências de comprometimento neurológico significativo no feto ou quando a malformação é detectada precocemente durante exames de ultrassom. | A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é considerada uma opção para casos selecionados, onde os benefícios superam os riscos. Geralmente, é indicada quando há evidências de comprometimento neurológico significativo no feto ou quando a malformação é detectada precocemente durante exames de ultrassom. | ||
| − | Os benefícios potenciais desse tipo de cirurgia incluem a | + | Os benefícios potenciais desse tipo de cirurgia incluem a redução das complicações neurológicas associadas à meningomielocele, como paralisia e disfunção da bexiga e intestino. Além disso, estudos mostraram que a cirurgia fetal intrauterina pode melhorar a função motora e cognitiva em algumas crianças afetadas. |
No entanto, a cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele também apresenta riscos significativos. O procedimento é complexo e requer uma equipe médica altamente especializada. Além disso, há riscos associados à prematuridade, ruptura prematura da membrana amniótica e complicações maternas. | No entanto, a cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele também apresenta riscos significativos. O procedimento é complexo e requer uma equipe médica altamente especializada. Além disso, há riscos associados à prematuridade, ruptura prematura da membrana amniótica e complicações maternas. | ||
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A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele não é uma opção viável para todos os casos. Nem todos os fetos com meningomielocele são candidatos adequados para o procedimento. Além disso, mesmo com a cirurgia, as crianças afetadas pela condição podem enfrentar desafios ao longo da vida, como problemas neurológicos e físicos. | A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele não é uma opção viável para todos os casos. Nem todos os fetos com meningomielocele são candidatos adequados para o procedimento. Além disso, mesmo com a cirurgia, as crianças afetadas pela condição podem enfrentar desafios ao longo da vida, como problemas neurológicos e físicos. | ||
| − | '''A Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pelo Sistema Único de Saúde – | + | '''A Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pelo Sistema Único de Saúde – SUS não está padronizada e não consta na Tabela SIGTAP/SUS, portanto não é oferecida pela rede pública de saúde.''' Também não houve avaliação da CONITEC para esta situação. |
| + | Há somente um ensaio clínico que estudou a técnica pleiteada. O principal benefício observado neste ensaio clínico foi uma diminuição da necessidade/indicação de derivação de líquido cefalorraquidiano, sem demonstração de benefício em mortalidade. Este mesmo estudo também demonstrou algum benefício relacionado ao desenvolvimento motor e funcional dos fetos submetidos à correção intrauterina, quando comparados àqueles que passaram pela correção pós-natal. | ||
| − | Referência Bibliográfica | + | Apesar desse estudo, há ainda incerteza dos benefícios da técnica cirúrgica bem como de aspectos técnicos da mesma. Ainda, essa modalidade de tratamento é considerada experimental em alguns países, e nos países na qual é recomendada a descrição é que trata-se de "uma opção" e que há ressalvas para a recomendação. |
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| + | == Referência Bibliográfica == | ||
NOGUEIRA, MP; COSTA, LL Cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , [S. l.] , v. 1, pág. 395–406, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n1-029. | NOGUEIRA, MP; COSTA, LL Cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , [S. l.] , v. 1, pág. 395–406, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n1-029. | ||
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| + | Nota Técnica 385607 https://www.pje.jus.br/e-natjus/notaTecnica-dados.php?output=pdf&token=nt:385607:1772218002:0e04df465aed48145cf73495fa58c3dab93e63870f09a55edea14e3e0227d915 | ||
Edição atual tal como às 20h02min de 27 de fevereiro de 2026
Índice
Mielomeningocele
A mielomeningocele, mais conhecida por espinha bífida ou apenas mielo, é o resultado de um defeito no fechamento das estruturas que protegem a coluna vertebral por volta da sétima semana de gestação e causa comprometimentos diversos. Quando esse defeito no fechamento das estruturas na coluna ocorre, a medula fica exposta ao líquido amniótico, lesionando os nervos da coluna.
A mielo pode ocorrer tanto por fatores genéticos quanto ambientais. A ocorrência é de um a cada 1.000 nascidos no Brasil. A prevenção se dá principalmente pela ingestão de ácido fólico (vitamina B9) antes e durante a gravidez. O ácido fólico tem um papel fundamental no processo de multiplicação celular, sendo, portanto, imprescindível durante a gravidez. O uso de determinados medicamentos durante a gestação também pode provocar a malformação.
O resultado são comprometimentos motores e neurológicos diversos. Por exemplo, a habilidade do bebê de caminhar e de conter urina e fezes fica comprometida. Quanto mais alta for a lesão na coluna vertebral, maiores são as chances de a criança precisar andar com auxílio de muletas ou cadeira de rodas. Deformidades ortopédicas também ocorrem em quase todos os casos.
A malformação de Chiari II é uma das consequências presentes em quase todas as crianças com mielo. Ela caracteriza-se pelo deslocamento das estruturas da fossa posterior para o interior do canal espinhal cervical. Apesar disso, muitas vezes não causam sintomas. Quando ocorrem, podem ser dificuldades de engolir alimentos e problemas respiratórios em lactentes. Já crianças mais velhas podem ter dor de cabeça, dor cervical e fraqueza. Estes sintomas geralmente não precisam ser tratados cirurgicamente.
Além disso, a maioria dos pacientes com mielomeningocele tem hidrocefalia associada. A hidrocefalia é definida por um acúmulo de LCR (líquido cefalorraquidiano) nos ventrículos cerebrais. Esse acúmulo provoca um aumento do perímetro cefálico e pode gerar aumento da pressão intracraniana.
Diagnóstico
O diagnóstico pré-natal da mielo é feito por meio de exames de ultrassonografia ou métodos laboratoriais. Defeitos espinhais podem ser observados a partir da 16ª e 17ª semanas de gestação, quando a coluna vertebral fetal já se encontra suficientemente ossificada.
Os métodos laboratoriais incluem a dosagem de alfafetoproteína no sangue materno e no líquido amniótico e da acetilcolinesterase no líquido amniótico.
O tratamento
O tratamento tradicional para MMC consiste no reparo do defeito propriamente dito e correção de hidrocefalia, quando presente.
Geralmente é iniciado nas primeiras 48 horas após o nascimento com uma cirurgia para corrigir a alteração na coluna e evitar o surgimento de infecções ou novas lesões na medula, limitando o tipo de sequelas.
Embora o tratamento para mielomeningocele com cirurgia seja eficaz para curar a lesão na coluna do bebê, não é capaz de tratar as sequelas que o bebê apresenta desde o nascimento. Isto é, caso o bebê tenha nascido com paralisia ou incontinência, por exemplo, não irá ficar curado, mas evitará o surgimento de novas sequelas que poderiam surgir por exposição da medula.
A cirurgia pós natal para a correção da mielomeningocele é padronizada no SUS: Código SIGTAP/SUS 04.03.01.022-5 - TRATAMENTO CIRÚRGICO DE DISRAFISMO ABERTO.
Cirurgia Fetal Intrauterina para Correção de Mielomenigocele
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é considerada uma opção para casos selecionados, onde os benefícios superam os riscos. Geralmente, é indicada quando há evidências de comprometimento neurológico significativo no feto ou quando a malformação é detectada precocemente durante exames de ultrassom.
Os benefícios potenciais desse tipo de cirurgia incluem a redução das complicações neurológicas associadas à meningomielocele, como paralisia e disfunção da bexiga e intestino. Além disso, estudos mostraram que a cirurgia fetal intrauterina pode melhorar a função motora e cognitiva em algumas crianças afetadas.
No entanto, a cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele também apresenta riscos significativos. O procedimento é complexo e requer uma equipe médica altamente especializada. Além disso, há riscos associados à prematuridade, ruptura prematura da membrana amniótica e complicações maternas.
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é realizada durante a gestação, geralmente entre as semanas 19 e 26, quando o feto ainda está em desenvolvimento (Rintoulet al., 2020). O procedimento envolve a abertura do útero da mãe e a exposição do feto. Os cirurgiões trabalham cuidadosamente para fechar aabertura na coluna vertebral do feto e reposicionar as meninges e a medula espinhal. No entanto, um estudo de coorte completo demonstrou que a cirurgia pré-natal está associada a um risco elevado para a idade gestacional mais precoce ao nascimento, visto que os partos ocorreram antes das 30 semanas de gestação em aproximadamente 11% dos neonatos que perpassaram pelo reparo fetal.
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele não é uma opção viável para todos os casos. Nem todos os fetos com meningomielocele são candidatos adequados para o procedimento. Além disso, mesmo com a cirurgia, as crianças afetadas pela condição podem enfrentar desafios ao longo da vida, como problemas neurológicos e físicos.
A Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pelo Sistema Único de Saúde – SUS não está padronizada e não consta na Tabela SIGTAP/SUS, portanto não é oferecida pela rede pública de saúde. Também não houve avaliação da CONITEC para esta situação.
Há somente um ensaio clínico que estudou a técnica pleiteada. O principal benefício observado neste ensaio clínico foi uma diminuição da necessidade/indicação de derivação de líquido cefalorraquidiano, sem demonstração de benefício em mortalidade. Este mesmo estudo também demonstrou algum benefício relacionado ao desenvolvimento motor e funcional dos fetos submetidos à correção intrauterina, quando comparados àqueles que passaram pela correção pós-natal.
Apesar desse estudo, há ainda incerteza dos benefícios da técnica cirúrgica bem como de aspectos técnicos da mesma. Ainda, essa modalidade de tratamento é considerada experimental em alguns países, e nos países na qual é recomendada a descrição é que trata-se de "uma opção" e que há ressalvas para a recomendação.
Referência Bibliográfica
NOGUEIRA, MP; COSTA, LL Cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , [S. l.] , v. 1, pág. 395–406, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n1-029.
Nota Técnica 385607 https://www.pje.jus.br/e-natjus/notaTecnica-dados.php?output=pdf&token=nt:385607:1772218002:0e04df465aed48145cf73495fa58c3dab93e63870f09a55edea14e3e0227d915