Mudanças entre as edições de "Órtese Craniana (Capacete Ortopédico)"
(→Referências) |
|||
| Linha 18: | Linha 18: | ||
Apesar das controvérsias na literatura, alguns estudos demonstraram maior eficácia do tratamento com o uso da órtese de remodelação craniana, principalmente para os casos mais graves e refratários. É admissível que o uso da órtese / “capacete” contribui para a remodelação na plagiocefalia posicional, principalmente para os casos de maior assimetria. Porém, a órtese não se constitui no único recurso eficaz para o tratamento, pois, é possível a reversão/remodelação da assimetria, sem o uso da mesma. | Apesar das controvérsias na literatura, alguns estudos demonstraram maior eficácia do tratamento com o uso da órtese de remodelação craniana, principalmente para os casos mais graves e refratários. É admissível que o uso da órtese / “capacete” contribui para a remodelação na plagiocefalia posicional, principalmente para os casos de maior assimetria. Porém, a órtese não se constitui no único recurso eficaz para o tratamento, pois, é possível a reversão/remodelação da assimetria, sem o uso da mesma. | ||
| − | |||
| − | |||
== Prótese Craniana no SUS == | == Prótese Craniana no SUS == | ||
Edição das 17h47min de 31 de agosto de 2026
Sobre a Doença EM EDIÇÃO
A Plagiocefalia é um termo genérico que envolve características fenotípicas de assimetria craniana, tendo em comum a obliquidade do crânio. Pode ser devida a cranioestenose da sutura craniana lambdóide, da sutura coronal unilateral; ou deformacional/posicional (sem sinostose, com suturas cranianas saudáveis). Apesar de rara, a plagiocefalia teve um aumento sensível nos diagnósticos que coincidiu com a campanha para evitar a morte súbita infantil implementada nos EUA (“Back to sleep”, em 1992). A campanha cumpriu seu objetivo de, ao orientar a posição em decúbito dorsal para o sono, prevenir a morte súbita infantil. Entretanto, observou-se ao mesmo tempo um grande aumento nos diagnósticos de plagiocefalia. Os estudos da época podem ter sofrido essa influência circunstancial, com possíveis diagnósticos enganosos envolvendo plagiocefalia posicional (deformacional) ou verdadeira (sinostótica).
Diante de um bebê com assimetria craniana, a primeira pergunta que deve ser feita é se a deformidade corresponde a uma craniossinostose ou se é uma plagiocefalia deformacional/posicional.
A plagiocefalia é a condição mais comum dentre as deformidades cranianas, com uma incidência estimada de até 46%. Aproximadamente um em cada cinco bebês apresentam algum tipo de assimetria em algum momento de seu desenvolvimento, no entanto, a maioria evolui com resolução espontânea, sem nenhum tratamento, traduzindo uma condição benigna, com repercussão predominantemente estética, que não afeta o crescimento e o desenvolvimento do cérebro do bebê.
Todas as crianças de até dois anos de idade, se posicionadas de forma repetitiva sobre determinada região da cabeça, poderão desenvolver a plagiocefalia posicional, mesmo que não tenham nascido com a assimetria. A plasticidade da calota craniana permite tanto a correção/remodelação da plagiocefalia posicional, quanto o desenvolvimento da mesma. Até o momento não há evidência científica de qualidade que permita afirmar que as assimetrias cranianas de natureza posicional ocasionem complicações futuras para as crianças.
A plagiocefalia verdadeira também chamada de craniossinostose ou craniostenose: é uma doença congênita, que pode estar presente antes mesmo do nascimento. É o resultado do fechamento precoce das linhas de sutura craniana, em outras palavras, é o fechamento precoce das junções que existem entre as placas ósseas que compõem o crânio. Na plagiocefalia verdadeira, o tratamento cirúrgico é indispensável na maioria dos casos e, assim como o diagnóstico, deve ser realizado o quanto antes para evitar maiores complicações, que podem envolver risco de hipertensão intracraniana, sofrimento cerebral e alterações oftalmológicas.
Plagiocefalia posicional ou falsa: A plagiocefalia posicional é a condição mais comum dentre as deformidades cranianas, com uma incidência estimada de 46%. É decorrente de pressão externa pelo posicionamento e não ao fechamento precoce de suturas cranianas (sinostose). Não é condição progressiva, como a craniossinostose. Os bebês podem apresentar a assimetria desde o nascimento ou desenvolvê-la nos primeiros meses de vida. A plagiocefalia posicional resulta de forças de moldagem sobre o crânio em diversas circunstâncias como: prematuridade, gemelaridade (gêmeos), má posição intrauterina, trauma de parto / posição pélvica ao nascer (quando o bebê nasce sentado), preferência de lado para dormir, torcicolo congênito (posição lateralizada da cabeça preferencialmente ou exclusiva para um lado), hipotonia (fraqueza muscular em que o bebê é “molinho”), entre outros fatores.
O guideline de manejo das plagiocefalias posicionais, que consiste em uma revisão sistematizada, publicada no Congresso Brasileiro de Neurocirurgiões e endossada pela Academia Americana de Pediatria, orienta que medidas de reposicionamento são eficazes; reforça a ausência de benefício do uso de capacete em quadros leves, com melhor resultado nos casos moderados a graves. Fisioterapia deve ser indicada nos casos que cursam com associação a torcicolo congênito”.
Apesar das controvérsias na literatura, alguns estudos demonstraram maior eficácia do tratamento com o uso da órtese de remodelação craniana, principalmente para os casos mais graves e refratários. É admissível que o uso da órtese / “capacete” contribui para a remodelação na plagiocefalia posicional, principalmente para os casos de maior assimetria. Porém, a órtese não se constitui no único recurso eficaz para o tratamento, pois, é possível a reversão/remodelação da assimetria, sem o uso da mesma.
Prótese Craniana no SUS
Não há previsão de fornecimento da Órtese Craniana (Capacete Ortopédico) pela rede pública de saúde e não consta na tabela SIGTAP do SUS.
Assim como não há Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, nem parecer da CONITEC sobre esta situação clínica, inexistindo análise de custo-efetividade ou recomendação oficial que embasem sua incorporação.
Referências
1. Nota Técnica, NatJus TelessaúdeMG, Nota Técnica*Número da Solicitação: 2023.0004609. https://bd.tjmg.jus.br/server/api/core/bitstreams/5206fdf3-b163-4fe9-9a1e-761a4686dc46/content
2. Maria Blanco-Diaz, Maria Marcos-Alvarez, Isabel Escobio-Prieto, Marta De la Fuente-Costa, Borja Perez-Dominguez, Elena Pinero-Pinto, Alvaro Manuel Rodriguez-Rodriguez Eficácia dos tratamentos conservadores na plagiocefalia posicional em bebês: uma revisão sistemática. 2https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10378416/
Modelo:
3. Al Muderis M, Lu W, Tetsworth K, Bosley B, Li JJ. Single-stage osseointegrated reconstruction and rehabilitation of lower limb amputees: the Osseointegration Group of Australia Accelerated Protocol-2 (OGAAP-2) for a prospective cohort study. BMJ Open. 2017 Mar 22;7(3):e013508.