Os métodos laboratoriais incluem a dosagem de alfafetoproteína no sangue materno e no líquido amniótico e da acetilcolinesterase no líquido amniótico.
== O tratamento ==
O tratamento tradicional para MMC consiste no reparo do defeito propriamente dito e correção de hidrocefalia, quando presente.
Geralmente é iniciado nas primeiras 48 horas após o nascimento com uma cirurgia para corrigir a alteração na coluna e evitar o surgimento de infecções ou novas lesões na medula, limitando o tipo de sequelas.
Embora o tratamento para mielomeningocele com cirurgia seja eficaz para curar a lesão na coluna do bebê, não é capaz de tratar as sequelas que o bebê apresenta desde o nascimento. Isto é, caso o bebê tenha nascido com paralisia ou incontinência, por exemplo, não irá ficar curado, mas evitará o surgimento de novas sequelas que poderiam surgir por exposição da medula.
'''A cirurgia pós natal para a correção da mielomeningocele é padronizada no SUS: Código SIGTAP/SUS 04.03.01.022-5 - TRATAMENTO CIRÚRGICO DE DISRAFISMO ABERTO.'''
== Cirurgia Fetal Intrauterina para Correção de Mielomenigocele ==
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é considerada uma opção para casos selecionados, onde os benefícios superam os riscos. Geralmente, é indicada quando há evidências de comprometimento neurológico significativo no feto ou quando a malformação é detectada precocemente durante exames de ultrassom.
Os benefícios potenciais desse tipo de cirurgia incluem a redução das complicações neurológicas associadas à meningomielocele, como paralisia e disfunção da bexiga e intestino. Além disso, estudos mostraram que a cirurgia fetal intrauterina pode melhorar a função motora e cognitiva em algumas crianças afetadas.
No entanto, a cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele também apresenta riscos significativos. O procedimento é complexo e requer uma equipe médica altamente especializada. Além disso, há riscos associados à prematuridade, ruptura prematura da membrana amniótica e complicações maternas.
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele é realizada durante a gestação, geralmente entre as semanas 19 e 26, quando o feto ainda está em desenvolvimento (Rintoulet al., 2020). O procedimento envolve a abertura do útero da mãe e a exposição do feto. Os cirurgiões trabalham cuidadosamente para fechar aabertura na coluna vertebral do feto e reposicionar as meninges e a medula espinhal. No entanto, um estudo de coorte completo demonstrou que a cirurgia pré-natal está associada a um risco elevado para a idade gestacional mais precoce ao nascimento, visto que os partos ocorreram antes das 30 semanas de gestação em aproximadamente 11% dos neonatos que perpassaram pelo reparo fetal.
A cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele não é uma opção viável para todos os casos. Nem todos os fetos com meningomielocele são candidatos adequados para o procedimento. Além disso, mesmo com a cirurgia, as crianças afetadas pela condição podem enfrentar desafios ao longo da vida, como problemas neurológicos e físicos.
'''A Cirurgia Fetal de Mielomeningocele pelo Sistema Único de Saúde – SUS não está padronizada e não consta na Tabela SIGTAP/SUS, portanto não é oferecida pela rede pública de saúde.''' Também não houve avaliação da CONITEC para esta situação.
Há somente um ensaio clínico que estudou a técnica pleiteada. O principal benefício observado neste ensaio clínico foi uma diminuição da necessidade/indicação de derivação de líquido cefalorraquidiano, sem demonstração de benefício em mortalidade. Este mesmo estudo também demonstrou algum benefício relacionado ao desenvolvimento motor e funcional dos fetos submetidos à correção intrauterina, quando comparados àqueles que passaram pela correção pós-natal.
Apesar desse estudo, há ainda incerteza dos benefícios da técnica cirúrgica bem como de aspectos técnicos da mesma. Ainda, essa modalidade de tratamento é considerada experimental em alguns países, e nos países na qual é recomendada a descrição é que trata-se de "uma opção" e que há ressalvas para a recomendação.
== Referência Bibliográfica ==
NOGUEIRA, MP; COSTA, LL Cirurgia fetal intrauterina para correção de meningomielocele. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , [S. l.] , v. 1, pág. 395–406, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n1-029.
Nota Técnica 385607 https://www.pje.jus.br/e-natjus/notaTecnica-dados.php?output=pdf&token=nt:385607:1772218002:0e04df465aed48145cf73495fa58c3dab93e63870f09a55edea14e3e0227d915