== FARMACOGENÉTICA PSIQUIÁTRICA ==
A farmacogenética psiquiátrica foi introduzida na na para prevenção de toxicidade com antidepressivos tricíclicos (ADTs), pois são medicamentos claramente eficazes, mas com potencial de sérios efeitos adversos potencialmente fatais. A abordagem predominante era usar o monitoramento do nível sérico do fármaco, ao passo que foram surgindo estudos acerca das variantes genéticas que alteram o metabolismo dos fármacos tricíclicos, podendo-se identificar, assim, os pacientes sob maior risco.
Em suma, a farmacogenética em psiquiatria pode ser dividida em marcadores genéticos que predizem efeitos adversos (principalmente variantes genéticas do citocromo P450) e resposta positiva a um medicamento específico (marcadores específicos).
== APLICAÇÃO NO METABOLISMO DOS FÁRMACOS - MARCADORES P450 ==
4) metabolizadores ultrarrápidos (MU).
Essas variações metabólicas podem resultar em maior ou menor exposição a concentrações de fármacos. E, considerando que cada fármaco é submetida a uma via primária do CYP450, ao laudo de um teste farmacogenético será possível identificar o perfil de matabolização de determinadas substâncias. No caso da forma de metabolização lenta, o medicamento acaba se acumulando no organismo, causando mais efeitos colaterais; no caso da forma rápida, o organismo não tem tempo de fazer o efeito desejado. == APLICAÇÃO AOS TRANSTORNOS DO HUMOR == Após vários ensaios de ADs de diferentes categorias e/ou estratégias de combinação, aproximadamente um terço de pacientes ainda não conseguirá alcançar a remissão dos sintomas depressivos, o que pode estar relacionado a variantes genéticas no CYP450, ou mesmo em genes relacionados à neurotransmissão cerebral. Estudos neurocientíficos já apontaram que polimorfismos no gene transportador de serotonina (5-HT), por exemplo, podem aumentar o risco de o paciente desenvolver depressão, assim como polimorfismos no comprimento de alelos podem determinar resposta a inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS). Isto é, os alelos longos podem apresentar taxas de resposta favoráveis aos ISRS, enquanto alelos curtos correspondem a taxas de resposta diminuídas aos ISRS.
Nos transtornos de humor, os testes farmacogenéticos direcionam-se às seguintes aplicações: gene SLC6AC; gene catecol-O-metiltransferase; genes codificadores de receptores da serotonina (HTR2A, HTR1A E HTR1B) e fator neurotrófico derivado do cérebro.
O '''gene SLC6A4''' tem recebido atenção especial pois codifica a bomba de recaptação de serotonina, a mesma proteína que deve ser inibida por quase todos os antidepressivos (ADs). Estudos iniciais revelaram que indivíduos que têm a forma curta (homozigótica ou heterozigótica) do transportador de serotonina têm mais probabilidade de ficarem deprimidos no cenário de adversidades, assim como estão menos propensos a responder, ou têm uma resposta tardia, aos ADs. Além disso, esses indivíduos apresentavam maior probabilidade de sofrer de efeitos colaterais com os ADs.49
== APLICAÇÃO AOS TRANSTORNOS DO HUMOR ==A '''catecol-O-metiltransferase''' (COMT), é a enzima que catalisa a transferência de um grupo metila da S-adenosilmetionina para as catecolaminas neurotransmissoras, dopamina, epinefrina e norepinefrina. Um polimorfismo no gene responsável pala COMT prediz resposta fraca a todos os ADs, mas particularmente aos inibidores seletivos de recaptação da serotonina/norepinefrina.
Polimorfismos nos genes responsável pela codificação de '''receptores serotoninérgicos HTR2A, HTR1A E HTR1B''' estão associados a padrão diferente de resposta ao tratamento com antidepressivos, da mesma forma que polimorfismos relacionados ao gene que codifica o '''fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF)''', já que é uma proteína que promove a sobrevivência neuronal.
Após vários ensaios de ADs de diferentes categorias e/ou estratégias de combinação, aproximadamente um terço de pacientes ainda não conseguirá alcançar a remissão dos sintomas depressivos.
Polimorfismos no gene transportador de serotonina (5-HT), por exemplo, podem aumentar o risco de o paciente desenvolver depressão. Esse transportador específico facilita a recaptação da serotonina da fenda sináptica no neurônio pré-sináptico, e estudos mostraram que uma inserção (a adição de um pedaço de DNA) ou deleção (a remoção de um pedaço de DNA) na região promotora (definida como a ligação de 5-HT na região polimórfica, ou 5-HTTLPR) do alelo curto tem sido associada a uma diminuição na expressão e à recaptura do transportador de serotonina.9== OUTRAS APLICAÇÕES ==
Polimorfismos no comprimento de alelos podem determinar resposta a inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS). Isto é, os alelos longos podem apresentar taxas de resposta favoráveis aos ISRS, enquanto alelos curtos correspondem a taxas de resposta diminuídas aos ISRS, além do aumento do risco de suicídio.10
Nas psicoses, os testes genéticos podem determinar se os pacientes têm ou não predisposição a efeitos colaterais, tais como agranulocitose, com o uso da clozapina.
O polimorfismo no receptor de dopamina D2 (DRD2) está altamente associado a esquizofrenia e também à resposta antipsicótica em pacientes com esquizofrenia.
Outro exemplo de achados genéticos na esquizofrenia é o alelo HTR2C, que codifica para o receptor de serotonina 2C. Variações alélicas no HTR2C, com CYP1A2 e CYP2C19, podem promover ganho de peso, dislipidemia e diabetes em pacientes que tomam antipsicóticos.
De acordo com a National Alliance on Mental Illness (NAMI), transtornos mentais graves, como a esquizofrenia e o TB, custam aos americanos mais Há evidências de 193 bilhões de dólares por ano. Em todo o mundo, 81 milhões de pessoas vivem com esquizofrenia ou TB,6 que polimorfismos da COMT e indivíduos da enzima MTHFR possam estar associados a déficits cognitivos em pacientes com esquizofrenia ou TB têm risco aumentado psicose. Há também evidências de desenvolver condições médicas crônicas, como hipertensão arterial que o polimorfismo rs6295 (HTAindivíduos G/G), diabetes melito do receptor da serotonina 1A (DMHTR1A) e doença hepáticaestá associado à melhora na cognição na terapêutica com clozapina.
Os indivíduos com esquizofrenia ou TB morrem, em média, 25 anos mais cedo do que os indivíduos sem transtornos mentais.6 Eles também enfrentam questões sociais, incluindo discriminação e preconceito e tratamentos inadequados, que podem levar à falta de moradia e ao encarceramento.6,7 A decisão de usar um determinado regime de tratamento farmacológico para a esquizofrenia ou TB pode ser difícil, devido à complexidade genética e às variações do metabolismo dos fármacos.6== CONCLUSÕES ==
Diferenças interindividuais na resposta aos antipsicóticos e aos EH, associadas ao número Apesar de inicialmente existirem altas expectativas relacionadas a uma possível ferramenta capaz de pacientes auxiliar o tratamento com quadros refratários ou resistentes ao tratamento, são considerados os problemas desafiadores em psiquiatria clínicaantidepressivos, '''estudos avaliando a eficácia do uso de acordo com a NAMItestes farmacogenômicos para antidepressivos têm mostrados resultados divergentes.6'''
Não obstante, a '''aplicabilidade dos testes farmacogenéticos pode também ser limitada''', ou seja, não tendo grande auxílio na prática clínica, já que '''não há diretrizes padronizadas''' em relação às recomendações clínicas entre os principais repositórios de dados farmacogenômicos. Além do que muitos dos casos de suposta "refratariedade" podem estar muito mais relacionadas a boicotes no tratamento e má adesão.
Ainda há que se considerar que o '''custo''' do teste pode ser '''elevado''' (R$ 1.700,00 a R$ 4.500,00).
Por tais motivos, '''não há previsão de inclusão de testes farmacogenéticos na rede pública.'''
Testes genéticos também podem determinar se os pacientes têm ou não predisposição a efeitos colaterais, como agranulocitose, com o uso da clozapina (CLZ).12 Outro exemplo de achados genéticos na esquizofrenia é o alelo HTR2C, que codifica para o receptor de serotonina 2C. Variações alélicas no HTR2C, com CYP1A2 e CYP2C19, podem promover ganho de peso, dislipidemia e DM em pacientes que tomam antipsicóticos.13== REFERÊNCIAS ==
A prescrição personalizada pode ser implementada com dosagem personalizada e/ou seleção Brito RB. Aplicação dos testes farmacogenéticos na psiquiatria clínica. In: Associação Brasileira de medicamentosPsiquiatria; Nardi AE, levando em conta variáveis genéticas e ambientais (por exemploSilva AG, comedicaçõesQuevedo JL, eventos organizadores. PROPSIQ Programa de estresse Atualização em Psiquiatria: Ciclo 8. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2019. p. 91–124. (Sistema de vidaEducação Continuada a Distância, tabagismo, alimentos e bebidas)v. Estima-se que as variantes genéticas respondam por 20 a 95% da variabilidade na disposição e farmacodinâmica do fármaco do sistema nervoso central (SNC4).14