Prótese Reversa de Ombro

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Introdução

A prótese reversa de ombro ou artroplastia reversa de ombro é uma alternativa de abordagem cirúrgica para a artroplastia de ombro ou artroplastia escapulo-umeral total.

Embora ambas sejam cirurgias para substituição da articulação do ombro por próteses (artroplastia total), elas diferem na biomecânica, na estrutura da prótese e nas indicações.

A cirurgia de artroplastia de ombro substitui partes lesionadas desta articulação pela prótese, como tratamento de artrose grave, fraturas complexas ou lesões do manguito rotador. O procedimento visa aliviar a dor crônica e devolver mobilidade, sendo por vezes indicado quando tratamentos conservadores falham.

Principais Tipos de Prótese de Ombro: - Total: substitui a cabeça do úmero e a cavidade glenoide do ombro. - Parcial (Hemiartroplastia): substitui apenas a cabeça do úmero, indicada se a cavidade glenoide estiver saudável. - Reversa: indicada para artropatia do manguito rotador, invertendo a anatomia normal (a esfera fica na glenoide e a taça no úmero).

Portanto, na prótese reversa há a inversão dos componentes, ou seja, na glenóide (região anatômica côncava onde se encaixa a cabeça convexa do úmero) é colocado uma esfera e no úmero, especificamente na região onde havia a cabeça do úmero (anatomicamente convexa), é colocada uma base e uma copa côncava para se encaixar na esfera. Para a elevação do braço, o paciente precisará usar apenas o músculo deltóide, motivo pelo qual é indicado para pacientes com ruptura do manguito rotador (grupo de musculaturas que contribuem para a movimentação do ombro).

Alternativas e Indicações

As opções cirúrgicas de artroplastia incluem artroplastia total do ombro, artroplastia reversa do ombro e hemiartroplastia.

A artroplastia total do ombro (substituição da cabeça do úmero e da glenóide) é normalmente indicada se preenchidas todas as seguintes situações: idade > 50 anos; dor e perda da função do ombro que não responde ao tratamento não operatório; achados do exame físico que se correlacionam com os sintomas e manguito rotador intacto ou reparável; osteoartrose glenoumeral detectado em radiografia; estoque ósseo glenóide adequado.

Já a indicação da artroplastia reversa do ombro (envolvendo a fixação de uma cabeça protética do úmero na cavidade glenóide e da taça protética da glenóide na parte superior do úmero) se aplica quando há lesão irreparável do manguito rotador, artropatia do manguito rotador, perda óssea grave da glenóide ou glenóide bicônide e falha em artroplastia anterior.

Em ambas as abordagens, o paciente deve estar em condições clínicas que permita a realização cirúrgica; aceitar os riscos cirúrgicos; e a disponibilidade para vivenciar o período pós-operatório de recuperação funcional.

A artroplastia reversa de ombro via de regra é uma cirurgia eletiva, ou seja, não há urgência nem emergência na realização. O paciente pode aguardar o processo cirúrgico em domicílio.

Eficácia e Segurança

A principal indicação para prótese reversa continua sendo o paciente com artropatia do manguito rotador com quadro de dor, perda de amplitude de movimentos e comprometimento das atividades de vida diária, com resultados satisfatórios. Mas, em pacientes com quadros de osteoartrose com manguito rotador intacto, em um curto período de acompanhamento tem apresentado resultados favoráveis com baixas taxas de complicações.

E quando comparado a artroplastia total de ombro com prótese anatômica com a prótese reversa, os resultados clínicos são semelhantes em pacientes com osteoartrite e manguito rotador intacto. Como contra indicações para a cirurgia de prótese reversa, a literatura cita quadros de infecção protética, lesão de nervo axilar e músculo deltóide não funcionante, pois a movimentação do ombro dependerá deste músculo. Portanto, para quadros de osteoartrose, os resultados clínico-funcionais são semelhantes para as duas abordagens cirúrgicas de artroplastia total de ombro.

Em estudo de meta-análise de três estudos selecionados que compararam próteses anatômicas bilaterais com próteses reversas bilaterais de ombro, com uma amostra de 86 participantes que realizaram a  cirurgia de colocação de próteses anatômicas bilaterais (com quadros de osteoartrose) e 43 participantes que realizaram a  cirurgia de colocação de próteses reversas bilaterais (por ruptura do manguito rotador ou revisão de artroplastia de ombro). Como resultado, as próteses anatômicas bilaterais apresentaram melhores resultados funcionais nos testes realizados, com melhores amplitudes de movimento no pós-operatório. Contudo, não foi observada diferença significativa na dor pós-operatória quando comparados à prótese reversa. Os pesquisadores ressaltaram a importância de haver mais estudos randomizados e controlados para confirmar esses achados. Este estudo nos demonstra que a cirurgia com prótese anatômica segue oferecendo bons resultados funcionais para quadros de osteoartrose com manguito rotador preservado.

Padronização no SUS

O procedimento cirúrgico de artroplastia reversa de ombro não é padronizado e não possui código na tabela SIGTAP do SUS, portanto não é oferecido pela rede pública de saúde.

Também não foi avaliado pela CONITEC.

A prótese reversa de ombro utilizada na cirurgia de artroplastia reversa de ombro é um dispositivo médico de Classe de Risco IV, aprovado pela ANVISA para substituição articular total (artroplastia) em casos de lesões irreparáveis do manguito rotador, artrose severa ou fraturas graves. Ela inverte a biomecânica (esfera na glenoide, taça no úmero), permitindo que o músculo deltoide compense a perda de função. Diferentes modelos (ex: SMR, Equinoxe, Comprehensive) são registrados na ANVISA. E assim como o procedimento cirúrgico, seu fornecimento não está previsto na tabela SIGTAP/SUS, nem oferecido pela rede pública de saúde.

A opção cirúrgica disponível na tabela SIGTAP/SUS com sua respectiva prótese convencional seria a:

- 04.08.01.005-3 - Artroplastia escapulo-umeral total. Descrição: procedimento de substituição da articulação escápulo-umeral biológica, por componentes articulares inorgânicos metálicos ou de polietileno admite uso de cimentação

Referências

1. Nota Técnica NatJus https://www.pje.jus.br/e-natjus/notaTecnica-dados.php?idNotaTecnica=348971

2. ANVISA https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/

3. SIGTAP http://sigtap.datasus.gov.br/tabela-unificada/app/sec/inicio.jsp